Uma nova caminhada

Quando eu vivia na cidade de Goiânia, do final dos ’80 e início dos ’90, aprendi um cântico que invadiu a minha alma e nunca mais de lá saiu. O refrão dizia: “É hora de recomeçar uma nova caminhada, em nova estrada, seguir a Cristo e mais nada…”

Vez por outra esse mote me vem à mente, como que me lembrando de que não importa o tamanho do não, da queda, da parede, da porta fechada, da impossibilidade, do desafio, do medo, da aflição, do desânimo… porque o que de fato importa, e vai definir o próximo passo, serão as pisadas que eu der nos passos que Jesus deixou lá pra que eu pisasse em cima.

Algumas vezes na minha vida tive de recomeçar, não teve outro jeito. Quando minha mãe morreu aos 52 anos, e eu estava grávida de oito meses da minha segunda filha, eu TIVE de recomeçar. Não havia outro jeito. Aquela bebezinha linda, frágil e delicada precisava de mim, da minha atenção, do meu sorriso ainda que com vontade de chorar, do meu colo, da minha disposição. Ademais, a irmãzinha de cinco anos também precisava que eu recomeçasse.

Oito anos depois, recebi uma ligação telefônica que dizia: “o Guga se foi”. Meu irmãozinho querido… nosso eterno bebê que viveu 36 anos dentro de suas limitações profundas e que nos foi dado por Deus para nos ensinar o que é amor incondicional, abnegação, altruísmo e, acima de tudo, nos ensinar que nem todas as perguntas que fazemos podem ser respondidas. Foi um pranto avassalador. Nunca chorei tanto, mas tive de recomeçar.

Houve um momento crucial na minha caminhada, em que eu e meu marido tivemos de tomar uma decisão difícil e temerosa: deixar ou não deixar a cidade em que vivíamos há quase 10 anos, o ministério que desenvolvíamos, o conforto de ter o médico em quem confiávamos, a comodidade de termos “tudo arrumadinho”, uma rotina estabelecida, a proximidade física de amigos e familiares queridos, a segurança de sabermos onde estávamos e com quem podíamos contar. Tudo isso entrou em oposição à insegurança diante ao desconhecido: como seria na nova cidade, na nova igreja, no novo ministério, na nova escola das crianças, na nova rotina, onde não conhecíamos ninguém, onde não éramos ninguém, onde tantas incógnitas permeavam os nossos pensamentos? Mesmo sem saber como, tive de recomeçar.

Momentos duros e dolorosos como a perda de alguém que amamos talvez sejam uma das situações mais desafiadoras pra tentarmos recomeçar, mas há outras deveras difíceis também: um diagnóstico assustador, um dia de quimioterapia, um dia de hemodiálise, uma sala de espera de UTI, um telefonema avisando sobre um grave acidente, um assalto, um divórcio, uma bancarrota financeira, um desastre natural que tenha causado severa destruição, o  desaparecimento de alguém, um rompimento, uma demissão.

Nos momentos que eu tive de recomeçar, três fatores contribuíram de maneira sine qua non: 1. a Graça e Misericórdia de Deus que me assistiram – e isso não dependeu de mim; 2. o encorajamento e insistência do meu marido e das minhas filhas, não permitindo que eu “entregasse os pontos”; 3. meu esforço pessoal sobre-humano pra me levantar da cama e viver o dia seguinte.

O primeiro fator está ao seu alcance 100%. O segundo pode não ser um marido ou filhos, mas pode ser um alguém que te ame e que quer ser aquela mão que vai te empurrar e te puxar no dia mal. O terceiro é com você: disponha-se, lá naquele restinho de força que ainda está armazenado no seu interior mais profundo, e recomece sua nova caminhada, em nova estrada, seguindo a Cristo e mais NADA.

 

Fotografia: Unsplash

Escrito por

30 anos de casada com um marido lindo! Duas filhas: Jessica (26) e Isabela (21). Candanga, fiquei em Brasília até os 12 anos. Daí fui pra Recife, onde fiquei quatro anos. De lá fui para Anápolis onde fiquei nove anos. Daí casei-me e fui pra Goiânia, onde passei quatro anos. Voltei para Anápolis e lá vivi mais nove anos. Agora já são 17 em São Paulo. Se fizer as contas, descobrirá que tenho 55 anos! Pode-se imaginar que meu sotaque é uma bagunça! 2017 foi meu Jubileu de Prata trabalhando em Missões Transculturais! 25 anos tentando fazer o que o Senhor me chamou pra fazer. Foram nove anos com Asas de Socorro e já são 17 com a APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais. Amo demais o que faço. Forever!

7 comentários em “Uma nova caminhada

  1. Mônica Sua Linda!!!
    Como Sempre com esta vida sensível a Voz e Direção de Deus!!
    Estou realmente recomeçando de Novo tudo de Novo, três meses sem minha mãe ela partiu e como você olhar p minha filhota me dá forças p levantar e me erguer todos os dias, e é Claro Jesus sempre vem, Ele Renova todas as Coisas! Não nos deixa! Enfim… Obrigada, muito bom contar com você!!

    Curtido por 2 pessoas

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