Inspira, respira, não pira

Queridas leitoras,

Confesso que estou tendo um baita trabalho em escrever sobre esse tema: Feminilidade. Já fiz e refiz 3 textos. Acabo por abrir um novo documento no word e começar mais um. Penso que este tema abranja muitos “poréns e afins” da alma feminina, e que cada mulher tem, em sua linda e peculiar individualidade, o seu jeitinho de endereçar o significado de ser mulher. Por exemplo, o que umas consideram “coisas de menina”, outras podem discordar. Mas não foi sempre que pensei assim.

A atitude de ser feminina engloba várias características. Ora é a ditadura da beleza associada com o desejo de talvez ser a nova garota de Ipanema, quem sabe até ser a próxima Giselle Bündchen. Ora é a pressão para ser prendada, ou mesmo fazer aquele risoto de camarão da Rita Lobo. Por vezes, é a pressão profissional, ou escrever um livro que mude o mundo.

Ao decorrer de minha caminhada, tive o prazer de conhecer muitas mulheres de referência que preenchem todo e qualquer tipo de estereótipo existente no universo feminino.  Minha mãe, por exemplo, trabalhava fora de casa, dava aula na escola dominical e era a nossa motorista. Algumas tias trabalharam por um tempo e depois decidiram se dedicar ao lar e a criação de filhos, outras investiram na carreira e conquistaram seu lugar no mercado de trabalho. Todas usando salto alto e batom vermelho. Ok, às vezes elas usam gloss. E hoje consigo ver o resultado na minha vida e na vida de minhas amigas. Algumas são donas de casa, outras trabalham fora, algumas estão estudando, muitas missionárias. Mas todas em uma diversidade de propósitos e chamados.

Sem perceber, construí a minha identidade em torno do que via nas mulheres ao meu redor. A saia, o vestido, o salto, a maquiagem. Fazer faculdade, ter um emprego show, ser mãe e dona de casa. Ufa…só de falar sobre todos esses requerimentos perdi o fôlego. Mais tarde, o conceito de beleza foi sendo martelado em minha mente e coração. Cresci achando que não me encaixava no padrão de beleza brasileiro. Pudera: A cintura é de pilão, o quadril é redondo, as coxas têm de ser torneadas e grossas, o cabelo é grande e liso… e assim aumentam as exigências de ser e se sentir bela dentro da nossa cultura verde e amarela. E, como já mencionado, ainda temos de ser prendadas, organizadas, inteligentes e mães.

Com tantos papéis para exercer, não é de se surpreender quando acabamos frustradas por não os desenvolver com excelência. Nos comparamos com as modelos fitness do Instagram, com a mãe que consegue passar as férias em Tokyo com seu bebê de 3 meses sem que a criança chore ou estranhe o fuso-horário, com a amiga que já está no segundo doutorado aos 25 anos, ou com a dona de casa que parece ter tudo altamente dentro do seu controle.

E seguimos internalizando diálogos que nos previnem de nos aceitarmos como somos e onde estamos. Construindo nossa identidade em torno de diferentes conceitos que, muitas vezes, nos deixam exaustas. Continuamos nos comparando umas às outras, o que afeta nossa autoestima e, pior, a nossa alma. E parece que a atitude de se comparar é inerente à alma feminina, podendo, muitas vezes, nos afundar num poço de autocomiseração. Isso me leva a pensar sobre a auto aceitação.

Antes de prosseguirmos, é importante entender que a auto aceitação difere de autoestima*. A última vem acompanhada de julgamentos, nos quais avaliamos o nosso valor comparando-o com diferentes parâmetros, como, por exemplo, a beleza. Assim, a autoestima se torna condicional, à medida que tentamos atingir certa condição para nos sentirmos valorizadas. A auto aceitação é baseada na realidade de quem somos em qualquer situação que nos encontramos, e isso independente de nossas falhas e da busca por mudanças. Ela tem mais a ver com nossa identidade. E tem lugar melhor para encontrarmos quem somos que em Cristo? Em I Pedro 2, o apóstolo descreve bem quem somos n’Ele, e nossa missão na terra:

-Raça eleita, sacerdócio real, nação santa, propriedade exclusiva do Senhor.

Se Ele nos aceita como somos, então por que não seguir os passos de quem nos criou?

O processo de reconstrução de identidade pode ser demorado, mas não impossível. É a famosa mudança de mente (Romanos 12:2). Essa “metanoia” se dá pela conversa interna. Se, por não conseguir fazer algo que almejei, imediatamente, disser inverdades a respeito de mim mesma, busco entender o que a Bíblia fala sobre. Por exemplo, se acho que não sou boa suficiente para desempenhar uma tarefa doméstica (TODOS os bolos que faço saem solados!), paro e penso: onde eu estou agora, exatamente neste lugar, sou totalmente amada e aceita por Deus. E vamos ao supermercado comprar um bolo pronto!

Outra boa regra a se seguir é: se eu não falaria isso a minha melhor amiga, não deveria dizê-lo a mim mesma. E através dessa auto aceitação é provável que consigamos ter um relacionamento conosco, e com os outros mais leve e mais amoroso. E acredite, todas estamos engajadas nesse processo.

Mas, à medida que caminhamos, deveríamos repetir o ditado inglês, “you do you, girl!”. Mantenha em mente quem você é em Cristo e seja livre. Liberte-se das pressões externas e internas. Seja você, fugindo ou não dos padrões de beleza, de cabelo curto ou longo, com cachos ou chapados, de gloss ou batom vermelho, tímida ou extrovertida, de pernas grossas ou fininhas. Você foi delicadamente planejada pelo Autor e consumador da nossa fé, cada detalhe: desde a personalidade, até o tom da pele, a cor dos olhos e tudo o mais. Que encontremos alegria em saber que, mesmo ainda caminhando para o alvo, hoje e agora, nos aceitamos como somos.

*fonte: Baldwin, M. W., & Sinclair, L. (1996). Self-esteem and “if . then” contingencies of interpersonal acceptance. Journal of Personality and Social Psychology, 71(6), 1130-1141.

Escrito por

Nascida e criada em Manaus, hoje mora nos Estados Unidos, com o seu esposo. Tem uma filha canina de 7 aninhos chamada Meg, muito sapequinha e inteligente. Estudante de aconselhamento, esposa em tempo integral, adora fazer comidinhas e cuidar da casa. Ama sair pra passear.

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