Felizes depois do “para sempre”

Ah, o amor!!! Hoje é Dia dos Namorados e essa data é muito especial para mim. Desde cedo sempre fui muito romântica e sonhadora e ansiava pelo dia em que teria alguém para comemorá-lo comigo. Na época da minha infância exibiam aquele comercial do bombom Serenata de Amor onde uma menina recebia o chocolate do seu “paquera” (paquera = crush) e colava o papel na sua agenda para lembrar pra sempre daquele momento. E eu sonhava ser aquela menina. Ter alguém para amar e principalmente, ser amada por alguém que também suspirasse por mim como eu suspiraria por ele! (risos)

O tempo passou e esse tão esperado namorado não vinha, não aparecia, não chegava. Às vezes me apaixonava por alguém mas essa pessoa não se apaixonava por mim. Às vezes alguém se apaixonava por mim mas, não era nem de longe o príncipe que eu sonhava. Mesmo sendo ainda muito nova, me senti muitas e muitas vezes sozinha, rejeitada, não amada. Por que isso? Porque a nossa sociedade nos bombardeia desde cedo com cenas, músicas, filmes, livros de romance. Um romance lindo e perfeito, com corpos perfeitos, pessoas perfeitas, que sabem exatamente o que dizer para encantar o outro. E que só são felizes se tiverem alguém ao seu lado. E não qualquer alguém, tem que ser “o” alguém.

Exageros à parte, romance é bom e faz bem. Amar alguém e ser correspondido é uma das coisas mais deliciosas que Deus já preparou aqui nessa Terra para nós desfrutarmos. Mas duas coisas dentro desse assunto tem me chamado à atenção: pessoas que se casam pensando mais na emoção e glamour da cerimônia do que em compartilhar sua vida com o outro pra sempre; e pessoas que se casam e deixam todo o romance morrer.

Para mim o ápice do romance é o casamento. Eu sempre fiquei e ainda fico indignada com a história acabando com “e foram felizes para sempre!”. Hein??? Mas como assim??? Sofreram a história inteira, lutaram, quase morreram, aí quando finalmente se casam, trocam uns beijinhos e a história acaba? Mas e o que vem depois disso? E como eles viveram? Como aprenderam a superar suas dificuldades? Como fizeram para o ‘amor’ não acabar? (coloco entre aspas porque amor não é sentimento, é decisão, e sendo assim, se era realmente amor ele não acaba).

Eu e o meu marido quando éramos namorados tomamos a decisão (por vários motivos que se eu fosse contar aqui daria outro texto!) de não nos beijarmos até o casamento. Foi uma decisão que tomamos e mantivemos até o fim. E eu passava noites acordada sonhando com aquele grande momento em que na nossa primeira noite, daríamos o nosso primeiro beijo e viveríamos nosso lindo romance.

Eu queria muito poder dizer que foi tudo lindo e perfeito como eu sonhei. Mas não foi. Não aconteceu tudo natural e ao mesmo tempo milimetricamente ensaiado como no cinema e na TV. Foi real. Foi um romance da vida real. Sofremos, nos desentendemos, nos sentimos sozinhos, nos amamos, nos odiamos, nos reconciliamos, juramos amor eterno, juramos ódio eterno (hahaha), enfim. Quebramos a cara. E foi aí que entendemos de verdade, com todas as forças do nosso ser que “amar” não basta. Aliás, não sabemos por nós mesmos o que é amar. Isso me lembra muito o Salmo 127:1 e 2 que diz: “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono.” Parafraseando: Se o Senhor não estiver no seu casamento, não adianta se desgastar para salvá-lo. Se o Senhor não te ensinar o que é amar, você nunca poderá amar.

Então, primeiro conselho: busque em primeiro lugar ao Senhor. Busque o Senhor na sua vida sempre e principalmente no seu relacionamento (amizade, namoro, casamento, relação familiar, etc). Segundo conselho: não deixe aquele friozinho na barriga morrer. Lembra como era romântico o namoro? Você e ele trocavam mensagens, telefonemas, elogios, separavam tempo para saírem juntos, conhecerem novos lugares. Você se arrumava pra ele, vocês eram super gentis e amorosos um com o outro. E por que isso morreu? Porque você se cansou, ficou ocupada, se acostumou com a presença dele, colecionou decepções, deixou a rotina tomar conta e aceitou que “a vida é assim”. É verdade que a vida de muita gente é assim. Mas não PRECISA ser assim. Se você sente falta dessa época linda, ele certamente sente também, mesmo que nunca admita. Nosso relacionamento nunca vai ser perfeito, mas também não precisa ser ruim. E quem vai mudar isso? Quem vai “salvar” seu casamento? É você mesma, com a ajuda de Deus. Não espere eternamente pelo dia em que ele ou alguém vai te chamar e propor: “Ei, vamos dar uma sacudida no seu relacionamento?”. Não, minha amiga! É você! Busque a Deus, apresente a ele o que te incomoda, peça sabedoria e coloque seus planos em ação.

Comemorar o Dia dos Namorados, por exemplo, é um hábito super saudável a ser cultivado. É aquele dia em que você pode surpreendê-lo desde a hora de acordar com um café na cama, marcar um jantar romântico só vocês dois, sem filho, sem pressa, sem whatsapp na mesa pra atrapalhar a conversa. Pare de esperar que façam por você. Comece a fazer as mudanças e certamente ele vai começar a mudar. Eu já começo a pensar no Dia dos Namorados muitos dias antes dele acontecer, sempre penso em algo interessante para fazermos juntos mesmo quando não temos dinheiro para grandes realizações. Me lembro de um ano em que o dinheiro estava bem escasso e estava chegando o Dia dos Namorados (já éramos casados). Mas não quis deixar passar em branco. Então vi uma ideia na internet e adaptei. Comprei uma caixa do chocolate Bis e escrevi em cima de cada chocolate uma coisa que eu queria “bis” na nossa vida. Por exemplo: “Bis de andar de mãos dadas com você”, “Bis de dormir abraçadinhos” e por aí vai. Também escrevi em alguns: “vale um beijo”, “vale um jantar”. E o meu marido aceitou com tanta alegria, com surpresa sincera, porque sabia que não tínhamos dinheiro pra fazer mais que isso, mas viu minha intenção em celebrar o nosso amor. Valeu muito a pena!

Comemore esse dia. Comemore as datas importantes. Lute, ore, seja criativa, reacenda a esperança. Você merece, ele também merece. Desligue o computador e vá correndo escrever a continuação desse romance, e seja feliz para sempre, todo dia.

 

Fotografia: Unsplash

Escrito por

Mineira, 35 anos, casada há 9 anos com um lindo rapaz que conheceu aos 15, tem um filho de 4 anos que é um "colosso". Ela acredita que tudo isso é muito mais do que merece ou sonhou alcançar. É a graça enorme do nosso poderoso Deus. Atualmente serve ao Senhor na Missão Caiuá, no Mato Grosso do Sul, trabalhando com indígenas. Gosta muito de conversar, escrever e viajar.

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