Férias! Yay!

Passando pela minha timeline no Facebook nas últimas semanas, tenho visto vários memes sobre as benditas férias. Professores festejando e mães se desesperando! Muito engraçado e verdadeiro! As professoras tem um momento de respirar e descansar de ensinar aquelas tantas crianças (que não são suas); enquanto as famílias, especificamente as mães, se rebolam e mexem na rotina que reina na casa pra conseguir manter alguma ordem. Se você tem filhos pequenos, você sabe do que estou falando! Picos de energia e criatividade em casa e você, a mãe, tendo que corresponder e administrar tudo isso.

Na semana pré-férias, que coincidentemente era semana de provas do mais velho, tivemos um agravante aqui em casa: o bebê pegou catapora (sabe Deus onde) e ficou bem enjoadinho, e o marido viajou! Se você imaginou uma mulher descabelada e com olheiras profundas, acertou! Pense numa mãe cansada!

Quando o marido voltou, deu uma aliviada, mas continuamos na montanha russa! O bebê saindo da catapora, pegou uma gripe forte e não conseguia dormir com nariz entupido, ao mesmo tempo que os outros entraram nas férias. Eu tirei folga do trabalho  pra ficar com eles em casa. Em casa meeeesmo, uma vez que o pequeno estava cataporento e todos poderíamos ser vetores do vírus. Ufa! Êêêê férias! Imagine a mesma mulher ali, do parágrafo anterior, com uma bandeirola, tentando parecer animada!

No final da semana, porém, conseguimos tirar dois dias para nos refugiarmos na mata amazônica. Uma pousadinha gostosinha em uma cidade bem pequena no interior do Amazonas. As crianças ficaram encantadas, e nós também. A coisa mais linda de se ver é observar a forma maravilhada que eles enxergam as novidades. Dá pra perceber como eles estão sugando vida de tudo, respirando inspiração e captando as cores, os cheiros, as formas. Eu amo vê-los aprendendo e apreendendo coisas sobre a vida, a criação e Deus.

Essa que vos escreve, não o faz para apelar para o sentimentalismo e fazer vocês terem pena de mim. Não! Escrevo para falar sobre uma experiência com Deus.

Desde que escolhi ser mãe decidi, que quando tivesse filhos, seria A mãe. Não apenas a mulher que engravidou e pariu, mas que cuida o tempo todo. Não sou contra e nem acho errado mulheres maravilhosas que são mães e trabalham fora. Se tem uma coisa que a maternidade me ensinou é não julgar a maternagem alheia. Cada família um sistema, um universo. Cada um sabe como é ser mãe para seus próprios filhos. Dito isso, falo sobre mim, minha decisão de ficar em casa. Eu queria estar lá em cada descoberta, cada pequena vitória. Não imaginava que ficaria tão exausta em alguns momentos, tão mal-humorada por falta do sono, tão longe do ideal que existe na minha cabeça. Ao mesmo tempo, não imaginava a alegria que toma conta da gente a cada vitória desses presentes emprestados por Deus a nós.

Às vezes temos essas ideias na cabeça de como deve ser o futuro bem-sucedido. Nessa imagem mental, sou uma mulher paciente, tranquila, pronta pra cuidar sempre. Que não se irrita com os gritos das crianças (tenho um guri de 6 e um de 2 que amam correr e gritar, seja imitando animais, ou sendo algum personagem), a mãe que tem uma amabilidade sem fim. De alguma maneira, essa mãe ideal também é esposa ideal e, como ela não fica cansada, ela sempre tem um semblante agradável, sempre sorrindo. Puf! Acordei e virei um tiranossauro rex depois de varrer a sala pela quinta vez e pedir pras crianças não saírem espalhando biscoito de maisena pelo chão, junto com pecinhas de Lego minúsculas e sapatinhos de Polly menores ainda.

Então encontro Deus, nesse furacão chamado vida, nesse conflito entre o ideal e o real. Conversando com meu marido numa das noites que estávamos no hotel, eu  falava sobre as reclamações que temos um sobre o outro, sobre o dia a dia, sobre as crianças, e relatando minha longa lista de necessidades não supridas. Ele me lembrou, durante essa conversa difícil, que em um relacionamento a dois e na maternidade não pode haver espaço para o egoísmo. Não estou falando de uma vontade de crescer e de cultivar uma individualidade saudável, mas de egoísmo mesmo. Um sentimento de querer somente pra si. De não conseguir olhar o outro com compaixão, mas se sentir inferior ou atrapalhada pela necessidade do outro. Que coisa! O outro nesse caso, minha própria família, filhos e marido. De repente, se não me cuido, posso começar a olhar para eles como “inimigos”, as (mini) pessoas que estão me impedindo de encontrar paz, descanso, alegria. De repente, não consigo mais enxergar as vitórias cotidianas porque só vejo o cansaço, o mal-humor, a falta de tempo… de repente tudo me falta.

Davi escreveu poesias riquíssimas como o salmo 23. “O Senhor é o meu pastor, não terei falta de nada!” Aprendi esse versículo assim “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”. Essa forma de ler pode dar a impressão de que Deus tem que me dar um monte de coisas. E mais, que nada pode me faltar, parece que faz de Deus um servo e não o pastor, que cuida da ovelha, não é mesmo? Mas se leio nessa outra tradução, percebo que, na verdade, a ovelha é que não tem falta de nada. Me passa uma ideia de contentamento. Essa ovelha do Salmo 23 consegue olhar para a graminha que encontra e se alegrar, ela olha o riacho onde bebe água e acha a água incrivelmente saborosa! Essa ovelha anda pelos pastos no sol quente, cheia de lã no corpo, mas não foca no calor, ela foca no amor do Pastor e na beleza da paisagem ao redor. Essa ovelhinha consegue enxergar a beleza de ser pastoreada e vê nas coisas simples motivo de alegria. Não estou querendo dizer que a ovelha não se irrita. Ovelha não tem sangue de barata, mas ela consegue focar no pastor e por isso, não sente falta de nada!

Então, a palavra chave é contentamento!

Contentamento é a chave pra eu conseguir me sentir completa! Meus filhos ficarão doentes, meu marido não vai estar presente a cada instante. Eu vou ter que ficar dentro de casa por semanas… Nem sempre, mas às vezes. Essa ovelha aqui (eu), ainda vai ficar cansada, ainda vai querer sair correndo da casa quando o marido chegar do trabalho? Talvez (com certeza). Mas vou também buscar olhar para o meu pastor, que me guia para pastos verdes e águas tranquilas. Esse pastor que promete estar junto de mim no vale da sombra da morte, e que me consola com sua presença. Minha oração então, é que eu consiga rir da bagunça na sala, me divertir olhando as crianças transformarem a casa em um campo de batalha. Quero ajudá-los a enxergar as pequenas e lindas coisas com as quais o Pai celeste nos cerca. Quero encontrar o equilíbrio nessa relação conflitante entre a vida idealizada e a vida de verdade. Quero encontrar e aprender ferramentas que possam ajudar minha mente a mudar de lente e conseguir caminhar guiada por um Pastor que sabe o que está fazendo. Nessa ambiguidade entre o que quero ser e o que sou, posso encontrar aquele que me criou e sabe todas as minhas características, pontos fracos e os fortes. Nesses momentos, Ele pode vir me mostrar as maneiras que o Pastor consola a ovelhinha e também as maravilhas de viver nesse tempo, essa vida!

Hello hurricane, you’re not enough. Hello hurricane you can’t silence my love… ” /Olá furacão, você não é o suficiente. Olá furacão, você não consegue silenciar o meu amor/ – Switchfoot – Hello Hurricane – Tim and Jon Foreman. 

Fotografia: acervo pessoal da autora

Escrito por

Esposa, filha e nora de pastor. Casada, tem três filhos. Cresceu na igreja presbiteriana e hoje serve com o marido na quadrangular. É professora de inglês e metida a artista. Canta, desenha, pinta e faz artesanato. Ama o evangelho do Reino e da vida real e prefere ver a vida assim... verdadeira, sem muita maquiagem, porém com muita esperança e graça, sempre! Gosta de escrever sobre o cotidiano e como Deus é presente ali. Acredita que está ajudando na missão de transformar o mundo através da criação dos filhos. E segue em construção e desconstrução constante.

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