Amor, você é feliz?

Certa vez, em uma daquelas conversas despretensiosas que se tem antes de dormir, fiz uma pergunta (retórica) ao meu marido: “Amor, você é feliz?”. Fiquei olhando para o teto do quarto enquanto esperava um grande e sonoro “sim”, afinal, quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa pra cima, positiva, entusiasmada e, de forma geral, pensava que eu era tão boa esposa que não havia outra opção a não ser se sentir feliz ao meu lado. Fui pega de surpresa quando ele pensou um pouco e respondeu: “Não sei se acredito em felicidade, isso é relativo”. Aquilo foi como um soco no estômago! Como assim? Agora a conversa ficou bem mais séria, e o ar descontraído deu lugar a um turbilhão de perguntas dentro de mim: “Será que eu não sou boa esposa? Será que não sou boa mãe? Será que eu também não sou feliz?” Meu castelinho de areia tinha sido levado pela onda da insegurança!

Percebemos que aquela era uma conversa que duraria algum tempo, então fomos dormir e passamos as próximas semanas discutindo sobre a felicidade, se era algo que podia ser mensurado e conquistado, ou não. Meu esposo é economista, então o cérebro dele funciona em um ritmo bem diferente do meu. Mas apesar das diferenças, nós dois entendemos que a palavra de Deus é um manual maravilhoso que nos aponta na direção certa, tanto quando queremos, como quando não desejamos. Então, tínhamos por onde começar.

O livro de Eclesiastes, na Bíblia, traz algumas reflexões bastante interessantes sobre o assunto. Por vezes, parece até que o autor está depressivo por perceber que tudo pelo qual tanto lutou, todo o prazer que encontrara aqui na terra, toda a busca por sabedoria e riquezas, e toda a alegria terrena, iriam simplesmente desaparecer juntamente com ele, e que o fim de tudo, tanto do sábio quanto do tolo, é a morte. “É melhor ir a uma casa em luto do que a uma casa em festa” (Eclesiastes 7:2a).

Mas como um bom sábio, ele continua em suas observações, e por fim chega à conclusão de que nossa vida humana é sim de uma brevidade enorme, e, exatamente por isso, só é possível achar sentido nisso tudo, e consequentemente encontrar a real felicidade, quando nos damos conta de que a vida não acaba aqui, mas que há um resultado eterno que se revelará quando estivermos diante de Deus. Ou seja, o fim aqui representa um recomeço ao lado do nosso Criador e a maneira como vivemos está produzindo frutos para a eternidade. “Esta é minha conclusão final: respeite a Deus e obedeça aos Seus mandamentos. Isso é o resumo do que o homem deve fazer. Porque Deus vai julgar todos nós por tudo o que fazemos, até por aquelas coisas que ninguém conhece, sejam elas boas ou ruins.” (Eclesiastes 12:13,14)

Ele até se permite reconhecer que mesmo nos poucos dias que vivemos debaixo do sol é possível e saudável sentir alegria nas pequenas coisas, como comer, beber, ser recompensado pelo seu trabalho, cultivar amizades, adquirir conhecimento e “desfrutar a vida com a mulher a quem você ama” (Eclesiastes 9:9a).

Meu esposo e eu conversamos sobre o assunto por um bom tempo, e após semanas, que se tornaram meses, chegamos à seguinte conclusão: A alegria nesse formato que o mundo oferece, realmente pode ser bastante relativa, volátil e por vezes até rasa, mas quando nos lembramos de quem somos e a quem pertencemos, é possível encontrar a felicidade em um nível bem mais profundo, aquela que independe dos dias bons ou maus, e que está além de nós mesmos e de nossa capacidade humana. Sentir-se contente parte de um coração grato por ver que tudo de bom vem de Deus, e que podemos nos permitir ser felizes, aproveitar as coisas boas da vida e dividir essas alegrias com as pessoas que amamos, como se estivéssemos treinando para algo ainda mais excelente que está por vir. Quando entendemos que a verdadeira e definitiva alegria está na certeza de uma eternidade desfrutando da companhia de Cristo, tudo ganha sentido! Aí sim, seremos alegres … para sempre!

Fotografia: Unsplash

6 comentários em “Amor, você é feliz?

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  1. A busca desenfreada pela tão famigerada felicidade, às vezes leva a vida toda, e acabamos por deixar que a vida “passe” e continuamos a buscar. Como se fosse possível ter/palpar a tal…
    Devemos entender que todos os dias podemos ser feliz, ao acordar com saúde, ao ter filhos saudáveis, ao ter emprego, uma morada pra voltar, uma cama pra descansar. É simples, básico, que sejamos menos exigentes com nós mesmos e vivamos a vida da forma que Deus nos permitir viver. Questionamentos, dúvidas, também fazem parte, afinal necessitamos crescer. A felicidade de fato, está dentro de cada um, e somos capazes de decidir se somos ou não felizes.

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