O meu Mágico de Oz

Uma das características que mais gosto em Deus é sua onisciência. Desde a infância, sempre fui uma pessoa muito curiosa, cheia de perguntas, ávida por livros e todo tipo de informação. Para mim, então, ter total conhecimento de tudo é como possuir um fantástico super-poder.

Quando criança, eu tinha um “Caderninho de Perguntas para fazer pra Deus quando eu chegar no Céu”. Aos poucos ia anotando todas as curiosidades que deixavam minha mãe louca, e que ninguém conseguia saciar, e guardava aquele caderno como um grande tesouro. Eu mal podia esperar pelo dia em que poderia sentar diante de Deus e ouvir as respostas para cada uma de minhas perguntas: “para onde os animais vão quando morrem?”; “há vida em outros planetas?”; “se no céu não tem morte, vai ter churrasco?”; “foi peixe ou foi baleia que engoliu Jonas”?; “se o Senhor sabia de tudo, porque cargas d’água deu livre arbítrio pra Adão?” e por aí vai…

Me imaginava diante do Seu trono mais ou menos como a Dorothy diante do “Mágico de Oz”, o sábio a quem todos recorriam e que tinha resposta pra tudo. Esse é um filme antigo, e as crianças de hoje em dia, talvez visualizariam a cena um pouco diferente, com “Google” no lugar do mago onisciente.

Quando falamos de oração, frequentemente associamos uma imagem sisuda, contrita, quase triste (ou pelo menos, muito séria), com as mãos juntas, de joelhos e de olhos fechados. Entretanto, meus momentos de conversa com Deus são bem diferentes disso. São mais como daquela criança de caderninho na mão, olhos arregalados, pronta para anotar tudo e não perder nenhum detalhe. Bem, pelo menos costumava ser assim…

Confesso que depois de crescida, a constatação de que Ele já sabe tudo me deixou um pouco preguiçosa no quesito conversa, afinal, pra quê contar o que Ele já sabe. Ao invés de um diálogo, um relacionamento, muitas vezes trato com Ele como se fosse apenas meu Mágico de Oz. Chego com uma lista de perguntas e quero ouvir as respostas. Não há interesse em conhecer o mago por trás da cortina.

Por outro lado há, também, aqueles dias em que a frustração pelo silêncio e a “ausência” de respostas me deixam desencorajada (ou até emburrada), e eu já nem sei mais onde foi parar aquele precioso caderninho. Ou há as vezes em que o assunto a ser tratado na conversa é constrangedor, provavelmente por que fiz ou deixei de fazer algo, e já posso até imaginar o que ele vai dizer, por isso mesmo tento fugir. Parece que desde aquele dia no Jardim do Éden, quando o homem perdeu a chance de sentar para um café com Deus no fim da tarde, a ideia de ter um conversa com Ele é repleta de medo e insegurança, de culpa e vergonha, de pedidos e súplicas.

Mesmo assim, para mim, em geral, falar com Deus é um momento de grande empolgação, quando posso puxar meu caderninho e sentar com Ele para um bate papo.

Alguns anos atrás, um amigo me contou que, em seus momentos de maior intimidade com o Pai, a música que lhe vinha à mente era uma canção de amor um tanto quanto surpreendente para mim. Desde então, ela não me sai da cabeça, e é ela que embala meus momentos de conversa com Deus e meu caderninho na mão.

Nunca havia pensado que quando a Bíblia fala que toda criação testemunha de quem Ele é, inclui também aquilo que é humanamente criado. Imagine as palavras desta canção como uma declaração de amor, não a um ser humano qualquer, mas ao Deus verdadeiro, amigo leal, pai amoroso, a maior alegria do nosso coração.

“Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância

Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só”  (Velha Infância – Os Tribalistas)

Ao escrever este texto resolvi rever as cenas finais do filme quando Dorothy descobre que o mago é apenas um homem comum, e que as grandes verdades que ele revela nada mais são do que algo que cada um já sabia dentro de si mas não era capaz de enxergar.

Quantas vezes minha conversa com Deus não termina da mesma forma. Não, não… Ele não é um homem, e não tem nada de comum. Deus é Deus e ainda possui todos os “super-poderes” que me fascinam desde a infância. Mas, ao invés de grandes e novas revelações, o que Ele faz é apenas abrir meus olhos para as verdades que sempre estiveram ali, mas que estavam turvas diante de mim.

Fotografia: Ben White on Unsplash

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