Lá do alto…

“Não garanto a sua vida, muito menos a vida desta criança.” Em sua terceira gestação, essas foram as palavras ouvidas por minha mamãe pelo médico que lhe havia assistido em seus dois partos anteriores. Segundo ele, a permanência no hospital durante nove longos meses seria algo imprescindível e inegociável. Mas, aquele profissional da saúde não sabia que tinha como paciente, uma mulher que já conhecia o Médico dos médicos e que em seu ventre carregava aquela que sempre fora plano de Deus.

Ali começara uma guerra, se travaria uma batalha no mundo espiritual. Em meio a tantas obrigações como esposa e mãe de dois garotos ainda pequenos, aquela mulher lutou com armas invisíveis porém, eficientes e poderosas para alcançar e mover o sobrenatural. Uma delas, para não dizer a essencial, foi a oração.

Sabemos pela Palavra que os planos do Senhor não podem ser frustrados, contudo ser plano do Criador não nos isenta de lutas e perseguições. Após enfrentar um período de sustos e adversidades, incluindo uma queda violenta que a deixou de cama e com febre altíssima, finalmente havia chegado a hora. Mamãe chegou ao hospital já com dores porém, era de madrugada e o sr. Doutor queria dormir mais um pouco, e mandou que lhe aplicassem uma injeção para que cessassem as contrações.

A essa altura, toda a igreja já sabia do risco do meu nascimento e permanecia orando em nosso favor. Mamãe não passou um dia sequer internada, pois a sua confiança estava e insiste em permanecer inabalável em um Deus que possui a incrível habilidade de nos surpreender. Tenho uma dívida de gratidão eterna com todos quantos o Senhor usou para interceder por nossas vidas. Tento imaginar quantas daquelas senhoras de cabelinhos brancos, de pés e mãos já vacilantes, porém com o espírito renovado pelo Senhor, num ato de amor, não medindo esforços, abandonaram seus leitos quentinhos e fizeram o que sabiam fazer de melhor: se colocaram de joelhos, repetidas vezes, apenas para falar com Deus a meu respeito.

Amanheceu e mamãe foi levada à sala de parto em meio a cochichos apreensivos e procedimentos rápidos das enfermeiras. Em meio a todo esse processo ela apenas guardava em seu coração a promessa de que Deus havia lhe enviado uma rosa do Seu jardim secreto… meu parto fora extremamente difícil, no momento em que a enfermeira sentou-se sobre a barriga de minha mãe, o sangue jorrou no teto.

Nasci! Sem chorar… mas nasci. Passei da hora de nascer… mas nasci. Me faltou oxigenação cerebral… mas o Eterno me deu vida e não sofri nenhuma sequela. Sou um milagre! Meu testemunho foi espalhado por toda igreja como também fora dela. Fui criada em meio a orações, cresci visitando casas de irmãs queridas, verdadeiras profetas que viram, ouviram e tinham uma intimidade profunda com o Senhor. Como sinto falta daquele tempo! Tenho ainda guardado na memória o som de suas orações em línguas estranhas. Minha infância foi assim… marcada por períodos de entrega e de profundidade com o Eterno. E como meu doce amigo, pr. Sebastião costuma dizer: “A oração nos leva a lugares onde jamais entraríamos”.

No entanto, de nada me valeria tais experiências, se o meu maior exemplo não estivesse ao meu lado, dentro de minha própria casa. Não conheço uma mulher que possua uma fé tão genuína como minha mãe. Foi com ela que aprendi a não somente orar em secreto, como também permanecer em contato com o Pai . Foi seguindo o seu exemplo que aprendi a não temer as circunstâncias, a crer verdadeiramente que existe um Deus que está no controle do universo e que jamais chega tarde em nossas vidas. Minha mamãe é o tipo de mulher que nunca sai da sala do Trono. Hoje, entendo, que até o atraso daquele médico foi permissão do Eterno para que o nome d’Ele fosse ainda mais glorificado.

“Nunca estamos tão vivos como no instante em que nos relacionamos com Deus”. Eugene Peterson

Falar com Deus e ter a adoração como estilo de vida é algo que nos enriquece, porque nos liberta de nós mesmos e nos impulsiona a querer conhecer mais o Senhor… afinal, parafraseando João Batista: “… importa que Ele cresça e que eu diminua.” Indubitavelmente , somos quem mais se beneficia com essa interação.

Contemplar alguém se retirando para orar, não é algo natural. Ao testemunhar tal cena, consigo capturar o retrato da busca pelo alimento espiritual, do Pão do Céu diário o qual Jesus nos ensinou a pedir na oração do Pai nosso. É em oração que esse alimento celestial nos é entregue. E… pessoalmente, creio que ouvir a voz do Eterno uma vez não é suficiente, precisamos ouvi-la todos os dias.

“Orai sem cessar.” I Ts. 5:17 – Orar é mandamento e como tal devemos praticá-lo não somente como solução em tempos de angústia. Pelo contrário, se cultivarmos uma constante busca pelo Senhor, seremos achados firmes, fortalecidos e revestidos n’Ele para quando o dia mal chegar.

Há muitos que consideram se aproximar mais do Céu quando estabelecem um diálogo com o Pai. Creio que o que ocorre é um processo onde, quanto mais buscamos de Deus, mais nos desembaraçamos de nossa natureza má. Em oração, criamos um ambiente favorável para descobrir o que mais precisamos despojar diante do altar. Na realidade, pegamos o caminho que desde o início, nos estava proposto… então, nos afastamos, nos distanciamos da terra e permitimos que um pouco mais do Reino se aproprie de nós.

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direito de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra.” I Cl. 3:1,2 – Essa postura de desprendimento do visível, no afã de se alcançar o invisível (criticada por muitos), é uma obra exclusiva do Espírito Santo em nós. É Ele que nos desperta, que nos assiste em nossas fraquezas, que intercede por nós e que nos consola. É Ele também que nos impele a orar uns pelos outros, como o fazia a igreja primitiva – em unidade – uma de suas mais belas virtudes, a qual admiro e priorizo cultivar. Somos um corpo e devemos permanecer unidos e bem ajustados.

“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” Os. 6:3 – Há ainda muito para se trilhar… há ainda muito para ser desvendado…  orar, é conhecer a mente de Cristo… e conhecer a Cristo é uma jornada encantadora, surpreendente e extasiante… afinal, o que esperar de um Deus que sempre sabe nos maravilhar?

Fotografia: Dawid Sobolewski on Unsplash

 

 

 

 

Escrito por

Adoradora e ministra da Palavra. Alguém que ama ter momentos de profunda entrega e intimidade com o Senhor, buscando sempre trazer o Reino de Deus pra terra e exalar o perfume de Cristo por onde passar. Apaixonada por gente e suas diferentes culturas. Estudo Francês, Italiano e sou professora de inglês. Estar junto com a minha família e "sufocar" meus sobrinhos de beijos é algo que me faz muito feliz. É muito bom ser titia!!! Passatempo preferido? Sem dúvida, cantar. Primeiro dom que Deus me deu, para mim é um privilégio criar uma atmosfera de adoração, estender o tapete vermelho e convidar o Rei dos Reis a tomar O Seu lugar. Assumi um compromisso com a excelência logo, detesto que me apressem a fazer qualquer coisa. Prefiro ouvir a falar. Sou reflexiva, detalhista e um "tantinho" romântica. Contar as estrelas é algo que me traz paz. Me preocupo em deixar um legado, não uma herança. Acredito que existe algo pior que a morte: uma vida sem propósito. Luto, não para ser conhecida mas, para ser alguém que vale a pena conhecer!

3 comentários em “Lá do alto…

  1. Tenho o privilégio de conhecer a Manuella Jorge, estudamos juntos francês na Unievangelica, não imaginava que tivesse passado por tudo isso, mas suspeitava porque a Graça de Deus é muito presente em sua vida. Ela possui uma inteligência rara e um coração do tamanho do mundo. Que o Senhor Jesus continue abençoando sua vida Manuella. Você é uma bênção! Pr Jesus Aparecido

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  2. Ora…ora…ora… olha quem fala!
    Aquele que carrega não só o nome mas a ternura e simplicidade do Filho do Deus Altíssimo. O privilégio é todo meu de ter te conhecido pr. Jesus… muito obrigada!!!
    Saudades…

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