Plano A . . . ou Plano B?

Eu AMO fazer resoluções de ano novo! Amo listinhas de coisas a fazer (chamo de “to do list”), gosto de ser planejada e organizada, tenho uma rotina para tudo! Às vezes acho até que exagero um pouco, sabe? Mas esse meu jeito meio perfeccionista e organizada tem se mostrado muito útil! Com uma família transcultural, todas as questões de vistos, documentos, passaportes, certidões, etc e tal, já fazem parte da nossa rotina, e eu sempre sei onde está cada documento, cada comprovante, cada papel…

Porém no ano passado meus planos viraram de cabeça para baixo! Devido à nossa mudança de país, precisei dar entrada no meu visto permanente aqui nos Estados Unidos (mais conhecido como Green Card). Meus filhos têm cidadania dupla, meu esposo é americano e tem visto permanente pro Brasil, então só faltava eu resolver minha situação.

Fiz várias pesquisas e planejamentos, e cheguei à conclusão de que o mais ideal seria darmos entrada no meu processo de Green Card pelo Brasil. O grande “porém” era que esse processo poderia levar entre um e dois anos! E meu esposo precisava estar aqui para as aulas da pós-graduação o quanto antes. Foi aí que começou o meu desespero! Pensar em ficar um ano com a família separada era inconcebível pra mim, ao mesmo tempo, fazer esse processo daqui dos Estados Unidos parecia bem mais complicado (não tem como entrar em todos os detalhes pois é uma loooonga história).

Por fim, eu fiquei puxando de um lado no “cabo de guerra” e meu marido do outro! Eu queria fazer o processo do Brasil e ele achava melhor fazer dos Estados Unidos. Resolvemos orar, pedir conselho e buscar na Bíblia instruções que pudessem nos apontar na direção correta. Todas as setas pareciam apontar para sairmos do Brasil, virmos de mudança e só então darmos entrada no meu processo de imigração. As coisas ficaram tão fora do meu controle, que no dia que chegamos aqui nem sequer sabíamos que, na verdade, já iríamos ficar aqui de vez.

Não preciso dizer que tive umas boas noites em claro, né? Minha ansiedade atingiu níveis inimagináveis! Eu sentia que estava perdendo o controle, que meus planos, minha agenda, meus “to do lists” estavam sendo totalmente ignorados por Deus, e eu só queria que Ele fizesse do meu jeito! Porque obviamente, na minha percepção, meu plano fazia muito mais sentido.

Após alguns meses, finalmente conseguimos organizar todos os documentos necessários iniciar o processo. Ao longo desse período, percebi Deus me ensinando lições valiosíssimas! Pra começar, Ele me mostrou o quanto a ansiedade é corrosiva! Aprendi que a minha ansiedade, na verdade, é medo de confiar em Deus, medo de me entregar por completo a Ele. Comecei a notar que  sentia uma falsa segurança quando eu estava no controle. Deus era uma companhia muito bem-vinda mas, no banco do passageiro; desde que eu estivesse na direção, estava tudo bem pra mim.

Gente! Lutar contra a ansiedade durante aqueles meses foi uma batalha diária e muito dura! Eu colocava versículos bíblicos sobre ansiedade na parede do quarto e lia e relia várias vezes, como que tentando convencer meu coração de que não havia motivos pra tanto pânico. O versículo que mais usei foi o de Filipenses 4:6 e 7

“Não fiquem ansiosos com nada; pelo contrário, orem sobre tudo. Falem para Deus o que vocês precisam e agradeçam a Ele por tudo o que Ele tem feito. Se vocês fizerem isso, experimentarão a paz de Deus que vai além de tudo que a mente humana pode entender, e essa paz guardará os corações e as mentes de vocês em Cristo Jesus.”

 

Mas não parou por aí! A segunda coisa que Deus precisava trabalhar na minha vida era esse meu apego a planejamentos e organização. Na mesma época, estávamos lendo um livro chamado: Gospel Treason, de Brad Bigney (Traição Evangélica – ainda sem tradução pro português).  Esse livro fala sobre os ídolos do coração, como eles são perigosos, pois parecem inofensivos, mas na verdade roubam em nossa vida o lugar que pertence somente a Deus. Ao longo do livro pude perceber que organização era um ídolo pra mim! E entendi que Deus estava me ensinando que, ser organizada não é um pecado em si. É­ bom ser organizada… com o tempo, com as finanças… isso é bom! Mas, tudo aquilo que toma o lugar de Deus em nossa vida, tudo que rouba a confiança que deveria ser depositada n’Ele, acaba se tornando um ídolo. É aí que está o problema real, pois algo que em sua essência é bom, acaba se tornando uma barreira destrutiva para o nosso relacionamento com o Senhor.

A última etapa do processo era uma entrevista ao vivo com o oficial de imigração. Eu lembro que o clima na sala de espera era muito tenso, muitas pessoas revisando documentos, outros acompanhados de seus advogados, e eu e meu esposo destoávamos daquele quadro, estávamos totalmente tranquilos! Ficamos sorrindo e lembrando do longo caminho que havíamos percorrido até aquele momento. Podíamos sentir a presença de Jesus ali conosco, uma paz maravilhosa, daquelas que “a mente humana não consegue entender”! Quando finalmente entramos para a entrevista, uma das primeiras coisas que o oficial comentou foi que o nosso caso era um dos mais organizados que ele já tinha visto! Hahaha! Pensei: Ah Deus, o Senhor certamente tem um senso de humor!

O fim da história é que, após cinco meses desde que demos entrada, meu processo foi aprovado! Recebi meu Green Card pelo correio um pouco antes do meu aniversário (porque Deus é dos meus e não gosta de ficar esperando pra entregar o presente! Rsrsrs)

Contudo, mais do que a aprovação em um processo de imigração, sinto que meu coração também foi provado no fogo, e aprovado! Estou curada da ansiedade? NÃO! Mas Deus me deu ferramentas úteis para combater a ansiedade e não mais tornar meus planos um ídolo em minha vida. Agora, eu sigo o conselho do sábio Salomão:

“Podemos muito bem fazer planos para o futuro, mas o resultado final é o Senhor que produz. Deixe nas mãos do Senhor tudo quanto você fizer e todos os seus planos serão bem sucedidos.” (Provérbios 16: 1,3)

Escrito por

Seguidora de Jesus, Brasileira de Manaus-Amazonas, casada e feliz há 9 anos com um americano, homem de Deus (Aaron), mãe de três crianças lindas (Noah - 7 anos, e um casal de gêmeos de 4 anos - Julia e Benjamin). Compositora e cantora (amadora). Formada em odontologia há 10 anos, mas atualmente dedica-se em tempo integral à família e criação dos filhos. Não recusa um convite para uma boa prosa, ainda mais se tiver um cafezinho e banana frita! Mora com a família em Indiana, nos Estados Unidos.

2 comentários em “Plano A . . . ou Plano B?

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