Onde você vai lançar sua âncora?

Desde sempre costumo fazer listinha com alvos para o ano que começa. Em geral, coloco coisas como: fazer atividade física regularmente, efetuar alguns reparos em casa, melhorar nisso, naquilo, adquirir tal coisa… e por aí vai.

Penso que é primordial pararmos em algum momento do nosso ano, avaliarmos o que estamos fazendo, pontuarmos o que está a contento e o que não está, o que talvez esteja muito ruim, e planejarmos os próximos passos de acordo com os objetivos que temos na vida. Só que aqui está uma condição: “termos objetivos de vida”.

Se você está com um futuro nebuloso, encoberto, incerto, se não sabe aonde quer ir, seja na vida profissional, acadêmica, financeira, sentimental ou ministerial, quero te contar um segredo: você não vai pra lugar NENHUM enquanto não resolver isso.

Um célebre escritor latino da Antiguidade Clássica, Sêneca, deixou registrada uma frase de que gosto muito: “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe pra onde ir.” Há outras traduções para essa fala dele. Escolhi essa porque deixa bem claro o que quero pontuar aqui. Veja bem, na época dele, o transporte coletivo de longo alcance que havia eram os barcos. Barcos grandes, que saíam a singrar os mares de acordo com a direção do vento. Barcos eram muito bem-vindos na Grécia Antiga (como até hoje), porque o mar estava por todos os lados. Façamos agora um paralelo com nossa vida hoje.

Somos um barco equipado e pronto pra navegar. Temos a estrutura, a expertise para pilotar esse barco e a carga apropriada para a viagem. Contudo, só teremos êxito se tivermos um ‘plano de navegação’. É ele que vai pontuar o dia e hora da partida, a rota que deve ser seguida, as condições climáticas prováveis, o tempo da viagem, e o dia e hora da chegada.

Mas o que ocorre, com muitas pessoas, por anos e anos a fio, é que colocam seus barcos no mar, içam as velas, e os deixam à deriva, aos auspícios do vento. Só que o fim dessa viagem é absolutamente imprevisível. Esse barco vai parar num ‘Porto’ cujo nome é DESCONHECIDO.

Por que, afinal, deixamos de traçar planos? Por que procrastinamos? Por que aderimos ao conteúdo fatídico daquela música “Deixa a vida me levar, vida leva eu! Deixa a vida me levar, vida leva eu!”?

Pontuarei pelo menos duas razões que nos levam a não estabelecermos objetivos para o nosso futuro:

Primeiramente, porque temos medo de falhar. Aquele pavor, aquela agonia, aquele peso que às vezes recai sobre nós quando estabelecemos algum objetivo, e nos vemos apertados com prazos, com tarefas, com esforços que deveremos empreender para alcançar aquele objetivo.

Em segundo lugar, deixamos de traçar objetivos porque deveremos ter muita disciplina, rever nossa agenda, rever nossas prioridades para, então, abdicar daquilo que não contribuirá, em NADA, para atingirmos o objetivo estabelecido.

Seria, tipo assim: “Ah, eu quero muito fazer um curso de Enfermagem”. Faz anos que essa vontade passeia no coração. Mas na hora de botar pra quebrar, pesquisar cursos, duração, valores, a criatura desanima, deixa pra lá e continua no seu barquinho… com as velas içadas, deixando o vento determinar o rumo da vida. Só que não é assim que funciona! Não mesmo! Quer ser enfermeira? Ah, minha filha, pesquisa um curso viável pra você (localização, valor da mensalidade, carga horária, duração), matricule-se e corra atrás do que será necessário! “Ah, mas eu não tenho dinheiro…” Ora essas! Vá vender brigadeiro na porta de uma faculdade. “Ah, mas eu não tenho tempo…” As mesmas 24 horas que você tem no dia, o Leonardo da Vinci teve, o Albert Einstein teve, a Madre Teresa de Calcutá teve, o William Carey teve. Não vem que não tem. Como meu marido diz, “quando alguém fala que não tem tempo pra algo, o que ela está querendo dizer é: isso não tem importância pra mim.” Resumindo, se você quer mesmo uma coisa, FAÇA ACONTECER. Não fique sentada no seu barquinho esperando cair do céu. Sabe por quê? Porque não vai cair não. Não vai mesmo!

Eu sempre conto pros meus alunos uma história que aconteceu aqui no Brasil, no ano de 2012, quando o Corinthians foi para o Japão jogar a final do Campeonato Mundial de Clubes contra o Chelsea.

Certa moça, que se casaria dentro de alguns dias, abriu a porta do guarda-roupa, onde havia deixado seu vestido de noiva, pois precisava leva-lo para um ajuste. Acontece que a caixa com o vestido não estava lá. Ela procurou a mãe perguntando sobre o vestido, e a mãe disse que só poderia estar naquele guarda-roupa, mas o vestido não estava lá mesmo. Nem em outo guarda-roupa, nem em outo cômodo, nem em lugar nenhum. Bateu o desespero na jovem noiva que caiu aos prantos. Dias depois, o irmão da noiva chega de viagem. Ele tinha ido pro Japão. Quando a mãe conta o infortúnio do desaparecimento do vestido da irmã, ela faz uma cara de “paisagem”. Daí bate aquela desconfiança na mãe e ela pergunta: “Você sabe cadê o vestido?” Como ele foi ficando sem graça e gaguejando sem parar, a mãe parte pra cima: “Seu descarado, como você teve coragem? Como foi capaz de pegar o vestido da sua irmã?” Com lágrimas rolando na face, o torcedor fanático agarra com força a camiseta do seu time e fala pra mãe, chorando: “Mãe, mas é o Curíntia, mãe! É o Curíntia!” O Salafrário havia vendido o vestido da irmã pra completar o valor da passagem aérea para o Japão.

Absurdos a parte, o que eu queria destacar aqui é: o cara tinha um objetivo: ir pro Japão. Ele deu nó em pingo d’água pra alcançar seu objetivo e essa é uma lição que podemos tirar da história dessa família. Se você tem um objetivo definido, bem delineado, se tem certeza que aquilo é o que Deus quer pra sua vida, que a bênção d’Ele está em tudo isso, meta bronca! Seja criativa! Corra atrás! Faça acontecer! Claro que do jeito certo. Não vá sair por aí vendendo o vestido de casamento da sua irmã!

O sábio Salomão disse: “Os passos acertados que damos vêm de Deus; de outro modo, como saberíamos prosseguir na jornada?”

Então é isto. Pergunte a Deus o que Ele quer que você faça da sua vida, corra atrás disso, peça a bênção d’Ele na caminhada e você vai, finalmente, ter em mãos um ótimo plano de navegação. O melhor de tudo é que o ponto de parada do seu barco, quando enfim você lançar sua âncora, não se chamará Desconhecido, e sim algo parecido com “Porto Feliz”.

Fotografia: Pixabay

Escrito por

Quase 30 anos de casada com um marido lindo! Duas filhas: Jessica (26) e Isabela (20). Candanga, fiquei em Brasília até os 12 anos. Daí fui pra Recife, onde fiquei quatro anos. De lá fui para Anápolis onde fiquei nove anos. Daí casei-me e fui pra Goiânia, onde passei quatro anos. Voltei para Anápolis e lá vivi mais nove anos. Agora já são 17 em São Paulo. Se fizer as contas, descobrirá que tenho 55 anos! Pode-se imaginar que meu sotaque é uma bagunça! 2017 foi meu Jubileu de Prata trabalhando em Missões Transculturais! 25 anos tentando fazer o que o Senhor me chamou pra fazer. Foram nove anos com Asas de Socorro e já são 17 com a APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais. Amo demais o que faço. Forever!

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