Memórias do caminho

Quando pensamos em hospitalidade dificilmente não virá a nossa mente o texto de Hebreus 13:1,2: “Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos.”

A Bíblia cita inúmeros atos de hospitalidade. Particularmente acho muito interessante a maneira de “receber” narrada nas páginas do Antigo Testamento: o lavar os pés dos viajantes, o preparo de uma carne fresca, de pães e etc. Todo esse cuidado que era dispensado ao visitante que chegava a sua tenda/casa.

O Novo Testamento não é diferente, em 1 Pedro 4:9 somos instruídos a ser hospitaleiros de coração: “Sede mutuamente hospitaleiros sem murmuração.” E vai além, Tito 1:8 mostra a hospitalidade como uma das qualificações necessárias na vida dos lideres da igreja: “antes hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si,”

Desde que aceitei a Cristo, a hospitalidade da imensa família cristã tem me cativado e desafiado. Na verdade, foi a hospitalidade de alguns adolescentes que tocou meu coração de tal forma que desejei conhecer o Deus a quem serviam. Dali em diante tenho experimentado desse ato de amor em vários lugares por onde passei.

O texto de Hebreus fala dos que receberam anjos sem saber. Muitas vezes, muitas mesmo, aqueles que abrem as portas de suas casas e o coração de suas famílias acabam sendo anjos em nossas vidas também.

O dicionário define hospitalidade da seguinte forma: “Qualidade do que é hospedeiro; boa acolhida. Ato ou efeito de hospedar ou receber hóspedes. Modo generoso e afável de receber ou tratar alguém.” E hospitaleiro é “Aquele que oferece hospedagem por bondade ou caridade. Que dá boa hospitalidade; que acolhe francamente; que agasalha.”

Achei bem interessante a descrição “que acolhe francamente.” Pois me fez rir ao lembrar de uma doce irmã que nos recebera em sua casa certa vez. Como mãe de 3 crianças pequenas, eu sempre ficava muito tensa ao ser recebida, pois por muitas vezes fomos acolhidos em casas cujas crianças já haviam crescido há muito tempo. E mães de crianças pequenas sabem como elas transformam o ambiente, rs. E lá estava eu cheia de dedos, com receio de estar causando transtornos quando minha hospedeira, uma mineira muito sorridente, me diz: “Querida, quem não quer incomodar fica em casa, deixa disso menina, é um prazer receber vocês.”

Trago na memória muitos outros momentos que definem cada um desses significados e quando lembro de cada um, me vem a mente outros rostos sorridentes, cheios de bondade e carinho que marcaram minha vida.

Quando estava no seminário sofri um acidente e precisei passar por uma cirurgia na mandíbula. Fui acolhida por pessoas muito amáveis em Araras-SP. E ali, longe da minha mãe e assustada, Deus me apresentou um pedacinho da minha família celestial. Fui recebida com tamanho cuidado que pude ver o amor de Deus e Sua presença, e vivi o Salmo 118: 7 que diz: “O Senhor está comigo entre os que me ajudam;”

Muitos anos depois já casada, enquanto passávamos pela dor da perda do nosso primeiro filho (um aborto espontâneo), fomos acolhidos por uma igreja em Campo Grande-MS. Ali fizemos amigos e fomos abraçados por mais uma parte da nossa grande família. Poderia seguir narrando inúmeras experiências. E assim vamos, a cada viagem, expandindo nossa família, sendo recebidos por esses “anjos”, que nos fazem lembrar que nessa vida de forasteiros, não estamos sós.

Hoje vejo meus filhos formando suas memórias e conhecendo, a cada dia, o real significado de fazer parte dessa grande família que temos em Cristo, unidos pelo Seu precioso sangue. Ao longo do caminho conhecemos irmãos e irmãs, que nos tratam muitas vezes como filhos, que acolhem nossas crianças com carinho de avós, que nos dão refrigério ao longo da jornada e que nos fazem sentir a afável presença de Deus.

Que em meio a todo o individualismo que nossa sociedade vive atualmente, não deixemos de praticar essa tão marcante e preciosa característica da vida cristã. Que sejamos um elo desta corrente, um membro da família que está pronto a hospedar com bondade, sem murmuração, acolhendo francamente, agasalhando, sendo afáveis ao receber todos que baterem em nossas portas, pois podemos estar recebendo anjos sem saber ou talvez sejamos um instrumento para apresentar o caminho da Verdade e da Vida, como aconteceu comigo um dia.

 

Fotografia: Pixabay

Escrito por

Uma goiana de passagem por este mundo caótico, onde vem buscando ser moldada por Deus e ter uma vida que O glorifique. Mãe de três sapequinhas: André-6, Danielle-4 e Tiago-1. Dona de casa com alegria e apaixonada por tudo que envolve este mundo "caseiro". Amante de um café fresquinho, cheiro de livro novo, artes manuais de todos os tipos e pamonha quentinha em um dia de chuva. Conheceu seu marido em Minas, já morou nos três estados do Centro-oeste e hoje serve ao Senhor da seara, com seu marido no treinamento de missionários junto a MNTB em Vianópolis.

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