Socorro! A visita chegou!

“Filha, me ajuda a arrumar a casa que vai chegar visita!!!” Minha mãe falava isso e a correria começava. Era um tal de lavar as janelas (até aquele momento ninguém havia reparado que as janelas estavam sujas; se brincar, nem na cor da janela a gente tinha prestado atenção! Kkk), lavar o tapete super pesado da sala, sair caçando (e exterminando) teias de aranha, enfim, tudo porque “a visita” ia chegar. Eu podia ver a tensão na face da minha mãe e a preocupação de que tudo ficasse perfeito. Alguém ia chegar e tudo tinha que estar em ordem, pois, o que iam pensar de nós se algo estivesse errado?!

Naquela época eu não entendia muito bem o porquê de tudo isso. Por que é que a gente deveria se preocupar tanto com a vinda de outra pessoa na nossa casa. Até que eu casei e tive a minha própria casa. E foi aí que eu virei a minha mãe (hahaha!). Eu ficava (e às vezes ainda fico) estressadíssima quando alguém marcava de me visitar. Sim, eu gosto de receber visitas, meus amigos queridos e familiares –  o que me estressa é a preparação. É aquele medo de não estar tudo certo e o temido julgamento alheio. Eu preciso confessar que sou bastante bagunceira, casei com um bagunceiro e tivemos um filho bagunceiro (ai, ai!). Por causa disso já desmarquei visitas, já passei vergonha com quem chegou de surpresa, e já chorei me sentindo a dona-de-casa mais incompetente do mundo! E toda vez que lia aquele versículo que diz “sede hospitaleiros uns para com os outros, sem vos queixar” (I Pe 4:9) me batia uma culpa enorme pois eu não estava praticando a hospitalidade com amor.

Quando sugeriram o tema desse mês eu queria correr! Pensei várias e várias vezes sobre o que falar. Como eu vou ensinar sobre uma coisa em que eu acho que estou falhando? Mas, foi aí que Deus falou ao meu coração e eu enxerguei uma oportunidade: falar da minha falha pode ajudar alguém que está passando pelo mesmo problema e também deseja mudar. Ou alguém que nem sabia que isso era um problema e a partir desse texto, pode mudar!

Então, eu quero dividir com vocês o que eu aprendi. Na vida cristã temos que estar preparadas a todo instante para conduzir pessoas a Cristo, assim como também, consolar e fortalecer os que já confessam a Jesus. Isso quer dizer estar preparadas espiritualmente, vivendo uma vida de constante oração, leitura da palavra e longe da prática do pecado, mas também preparadas física e materialmente. Ou seja: tudo o que temos e somos deve estar pronto e disponível para ser usado no serviço do Reino. Nosso carro, nossa casa, nosso corpo, nossos dons, nossa mente e nosso espírito.

Já imaginou quantas oportunidades você perdeu de evangelizar um amigo enquanto dava carona pra ele? Já pensou se você convidasse suas amigas aí do bairro, aquelas que você “conhece de vista” para um chá da tarde na sua casa e compartilhasse com elas sua história de vida, sua fé e seus valores? Não precisa ser nada forçado, nada formal, não precisa ser doutorada nem palestrante. Isso só precisa de disposição, oração e muito amor ao Evangelho, amor às almas perdidas, amor à causa de Cristo. Os feriados cristãos como a Páscoa, por exemplo, são uma excelente oportunidade para reunir pessoas em casa e contar o que a morte e ressurreição de Jesus significou.

Lembro de uma vez quando minha família morava em Brasília e minha mãe decidiu abrir a nossa casa para o que a nossa igreja na época chamava de “grupo familiar” – um encontro semanal onde os irmãos que moravam mais perto poderiam se reunir juntos para adorar a Deus e ter comunhão uns com os outros. Nós já conhecíamos alguns irmãos que moravam ali perto, mas a minha mãe foi além. Ela pediu pra confeccionarmos um convite para fazer parte do grupo familiar, com endereço, horário e uma breve explicação, e saiu distribuindo centenas deles pelas proximidades de onde morávamos. Como a região era composta apenas por prédios, os convites alcançariam um grande número de pessoas em um tempo bem menor do que se ela tivesse que entregar de casa em casa. O nosso grupo familiar funcionou por uns 3 anos, até nos mudarmos de Brasília. E como eram agradáveis aqueles encontros! Até hoje guardo na mente e no coração aqueles momentos. Mas o melhor de tudo foram os frutos!

Minha mãe convidou uma mulher que estava visitando a nossa igreja há pouco tempo e ia sozinha com seus dois filhos. Era recém convertida e o marido tinha horror a crentes. No decorrer dos estudos bíblicos ela foi fortalecendo sua fé, aumentando seu conhecimento da Palavra e todo aquele grupo de irmãos passou a orar por sua família e especialmente pelo marido. Algum tempo depois de nos mudarmos daquela cidade, voltamos para fazer uma visita. E qual foi a nossa surpresa ao encontrar aquela mulher firme na fé, junto com seus dois filhos e agora seu marido também. Uma pessoa que poderia ter ido embora da igreja naquele dia se não tivesse sido bem acolhida. Uma crente que poderia esfriar na fé se não encontrasse irmãos dispostos a abrir o seu lar e ensinar a bíblia e orar junto com ela. Tudo isso aconteceu por causa da disposição da minha mãe e daquele grupo de irmãos.

Por isso eu entendo que devemos dar mais atenção ao dom (e ordenança) da hospitalidade. A Bíblia nos chama a ser altruístas, amar ao próximo como a nós mesmos e andar nas boas obras, as quais Deus de antemão preparou para nós. Ela mesma nos chama para amar não só de palavras mas de fato e de verdade; nos chama a demonstrar a fé com obras, e tudo isso passa pela hospitalidade.

Então corre pra cozinha e põe a água do café pra ferver, que a visita vai chegar! 😉

 

Fotografia: rawpixel.com on Unsplash

Escrito por

Mineira, 35 anos, casada há 9 anos com um lindo rapaz que conheceu aos 15, tem um filho de 4 anos que é um "colosso". Ela acredita que tudo isso é muito mais do que merece ou sonhou alcançar. É a graça enorme do nosso poderoso Deus. Atualmente serve ao Senhor na Missão Caiuá, no Mato Grosso do Sul, trabalhando com indígenas. Gosta muito de conversar, escrever e viajar.

28 comentários em “Socorro! A visita chegou!

  1. Como e é bom ler seus textos traz uma paz e uma reflexão incrível amo ler e refletir sobre cada um .Que Deus continue te dando sabedoria para nós presentear com grandes compartilhamento
    Bjs Deus abençoe vc se toda sua família.

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  2. Me encanto com a suas histórias, isso também é uma hospitalidade para aqueles que passam por momentos semelhantes ao seu. Obrigada por dividir um pouco conosco desses momentos, que para nós é mega significante. Deus lhe abençoe grandemente e que venha mais e mais histórias como essa para serem compartilhadas. Abraços carinhosos.

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    1. Muito obrigada, Day!!! Nos conhecemos ainda adolecentes, sem muita preocupação na cabeça, né??? E agora somos mães, esposas e profissionais. Agradeço a Deus pelas amigas preciosas que Ele colocou no meu caminho. Torço muito por você. Beijo!!!

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  3. Tenho uma admiração imensa por você e não preciso estar perto ou conviver muito contigo…mas os poucos e maravilhosos marcados pelos encontros de jovens onde tive o privilégio de conhece-la e relacionar com você. Obrigada por tudo 😍e estes textos me ensina muito.

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  4. Pensei que só em casa tinha teias de aranha, e que elas só eram vistas qdo os amigos e parentes chegavam… Aquele encardido do sofá que brota qdo alguém aparece… Bia acho que se alguém é tão querido a ponto de vir até nossa casa não vai se importar com esses pequenos descuidos já que o cafezinho e a prosa é boa…rsra

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  5. Bia, excelente! Penso exatamente assim! E isso tem me ajudado a não ficar tão preocupada com a organização e, e sim em receber com amor e que as pessoas se sintam em casa na minha casa. Gosto da frase, “desculpe-me pela bagunça, pessoas vivem aqui”. Acho q é uma das melhores formas de acolher e demonstrar amor a cristãos e não cristãos!! Que Deus te abençoe e a todas nós, que nossos lares sejam fonte de acolhimento, paz e alegria para nossas visitas! Beijos

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    1. É verdade! Nossa casa tem que ser um lugar de liberdade e não um lugar onde ninguém nem respira pra não tirar nada do lugar, né??? Que nossos lares sejam sim, lugar de carinho e acolhimento. Beijo!

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    1. Hahaha! Pois é. Quem nunca? A gente sempre se surpreende ao constatar que repetimos muitas das ações de nossos pais. Algumas coisas que a gente achava que era besteira ou chatice e depois nos pegamos admitindo que aquilo era super necessário… é vivendo e aprendendo sempre! 😉

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