Mene, Mene, Tequel, Parsim.

É ingenuidade acharmos que existem pessoas perfeitas ou lugares isentos de erros, ainda mais depois da queda do homem. É um pouco difícil e doloroso escrever sobre esse assunto. Sei que é fácil de acontecer e que as conseqüências são terríveis. Não pretendo tratar de forma irônica ou fazer depoimentos, mas, pontuar algumas coisas que levam a tal atitude – A verdade é que a corrupção muitas vezes adentra pelas portas da Igreja.

Por ter crescido nesse meio e conhecer muitas igrejas já soube de histórias em que se não fosse pela graça de Deus sobre minha vida teriam me feito tomar total aversão ao cristianismo. O que mais assusta é que muitas vezes os protagonistas são pessoas em posição de destaque, que falam em nome de Deus, se esforçam para concretizar projetos e são extremamente admirados aos olhos de outros irmãos. Mas é aí que mora o perigo, um grande abismo que ameaça os ditos líderes e visionários. Um abismo que eles olham e admiram Que quanto mais é cavado e cresce, mais e mais é amado. Esse grande abismo recebe o nome de Ego.

Confesso que já me senti o máximo ao receber elogios por algum trabalho ou algum estudo que fiz na igreja. Nosso ego é extremamente perigoso, pois quanto mais alimentado, mais ele tenta ocupar um lugar que não lhe é devido. Acontece de uma forma tão sutil, tão rasteira, que pode demorar anos para as pessoas perceberem que existe algo errado. Alguns entram em total cegueira com seu ego ao ponto de acharem que são uma espécie de messias. Isso acontece a partir do momento que não sabemos o nosso lugar e onde é o lugar de Deus. Perdemos algo precioso chamado Temor.

Temor a Deus significa profundo respeito, obediência e noção de quem é Deus. Mas, acontece que nós seres humanos gostamos de fazer as coisas do nosso jeito, com a desculpa de que é para a glória de Deus, quando na verdade é para no nosso próprio benefício.

Lembro de um filme que relatava a história de Joana d’Arc. Em uma parte do filme alguém, que parecia ser o diabo, aparecia para ela com acusações. Uma delas era que, no começo da sua trajetória, ela pedia para o povo lutar por amor a Deus. Quando famosa já não fazia mais isso, pedia para o povo lutar por amor a ela. Não vou entrar em detalhes do filme ou da pessoa Joana d’Arc, mas isso facilmente ocorre conosco. A partir de uma causa que era por amor a Deus, invertemos o foco para que o nosso nome seja exaltado.

Um casal “famoso” preso por corrupção em uma igreja, confessou em uma entrevista que usaram de meios não muito adequados, mas que eram para benefício da igreja e do nome de Deus. O mais assustador, é que pediam que as pessoas da comunidade lutassem por amor a eles. Opa como assim? Isso mesmo, por amor a ELES.

No momento que perdemos o temor, a preocupação em alimentar nosso ego ganha tamanha força que usar o dinheiro da igreja para: render juros na própria empresa; fazer a cotação errada de bens; abrir projetos para benefício próprio; enganar os irmãos seja com milagres, discursos humanistas, conferências para arrancar dinheiro e promessas fraudulentas entre tantas coisas que vemos por aí, passa a ser justificável aos olhos da pessoa. Algo como se o fim justificasse os meios.  Porém não é agradável o fim que aguarda aqueles que tais coisas praticam.

As palavras do título desse texto vêm da história de Belsazar, um rei que por não temer a Deus, tornou o sagrado em algo banal – ele pegou os utensílios do templo para uso carnal em sua festa. Durante um jantar, uma mão apareceu e escreveu seu julgamento na parede “MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM” e Belsazar foi  morto naquela mesma noite (Daniel 5). O temor a Deus é algo para nosso próprio benefício e prova do amor dEle para que não fiquemos perdido em nossos pecados.

Se você tem presenciado algo errado, ore, converse com a pessoa, com os demais líderes. Exorte com amor e com temor prezando o zelo pelas coisas de Deus pois, nos tornamos também coniventes a partir do momento que nos calamos.  Se tem lhe faltado temor, ore pedindo a Deus para que coloque você em seu devido lugar. Mas, se você que está lendo isso, sabe que está errado e não vê problema nenhum saiba que o significado de “MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM” é:

“… Mene: Deus contou os dias do teu reinado e determinou o seu fim. Tequel: Foste pesado na balança e achado em falta. Parsim: Teu reino foi dividido e entregue aos medos e persas”. (Daniel 5. 26-28)

Que Deus nos ajude a vigiarmos para que não venhamos a ser tentados pelo nossa natureza corrupta.

Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia. (1 Corintíos 10:12)

 

Fotografia: Wikimedia

Escrito por

Há quase dez anos mora na cidade cinza de São Paulo. Busca cores nas paletas que o Criador deixou. Graduou-se em Biologia e fez Mestrado na área de Neurocomportamental. Ama leitura e concorda com C.S.Lewis: "A experiência é uma professora cruel, mas você aprende. Meu Deus! Como você aprende!"

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