O nome do meu filho

Foi em uma dessas brincadeiras de crianças que fazemos escolhas para a idade adulta (como se fosse muito fácil) que resolvi escolher o nome do meu futuro filho, pois sempre sonhei em ter filhos. Disse então orgulhosa que seria Samuel. Amava a história dele. Confesso que esse nome mudou algumas vezes para Peter, por causa do Homem-Aranha e Thomas (nome de um jogador de basquete em Franca que achava bonito, rs) mas sempre voltava para o nome Samuel. Como minha mãe sempre aconselhou a orarmos desde cedo por nossos futuros filhos, eu orava pelo Samuel.

Assim como meu plano em ser astronauta não vingou, nem o de ser milionária aos 23 anos, também não casei aos vinte cinco anos como planejado e não tive filhos aos 27. Todos esses planejamentos não vingaram e eu não fiquei envergonhada por causa disso. Calma, deixa eu voltar na fala: esses planos não vingaram e não fiquei encabulada, exceto pelo Samuel.

Minha irmã mais velha, ficou grávida ano passado. Desde já criamos  expectativa para saber o sexo e os supostos nomes apareceram. Minha irmã, assim como eu na infância, também escolhera os nomes de seus filhos. Eu estava aliviada por não ser o mesmo que o meu. Porém, não era apenas minha irmã que decidiria o nome, meu cunhado tinha participação nesse momento. Foi então que ouvi, com todas as palavras, meu cunhado falar alegremente que meu futuro sobrinho se chamaria S-A-M-U-E-L

Parece bobagem, mas isso me deixou arrasada. Numa cena de novela (me envergonho até de lembrar), chorei e reclamei que haviam roubado o nome do meu filho!

Mas espera aí, que filho?

Me arrependo por ter feito minha irmã se sentir sem graça e como tratei de forma infantil. O problema, na verdade, não era o nome. O problema era a possibilidade de nunca ter um Samuel. Até porque nem casada eu sou.

O que mais dói dentro de nós é quando aquilo que ansiamos não está nos planos de Deus na forma que esperamos. Isso machuca mais do que tudo – algo que você sonha, mas não se concretiza.

O choro que tive naquela noite foi tão sentido, que imaginei um pouquinho como Ana, adivinhem, mãe de Samuel, deve ter sentido no dia que chorou perante a Deus.

Ironicamente a história dela me trouxe paz, e não foi por ela ter concebido a Samuel. Ana era pressionada não apenas pela outra esposa de seu marido, mas também por uma sociedade que julgava a mulher estéril como amaldiçoada. Olha, queridos irmãos cristãos, ter filhos é uma benção do Senhor, mas presencio uma falta de sensibilidade para com as mulheres que não são casadas ou não possuem filhos. Confesso que leio relatos de mães e esposas que dói o coração ao colocarem as demais mulheres como coitadas. Cuidado com suas palavras.

Ana não era compreendida pelo marido, que achava que o desejo de ser mãe poderia ser suprido com o amor dele. Talvez, caros maridos, suas esposas apenas querem que compreendam a dor que sentem, sem tentar achar que um sentimento pode ser suprido por outro. E para piorar, Ana é dada como bêbada pelo sacerdote Eli. Quantas vezes pastores e líderes, vocês logo julgam uma dor sem antes tentar entender o que se passa.

Deus, ao contrário de todos, compreendia Ana. Ouviu cada palavra que ela disse e sabia de cada lágrima derramada perante Ele. Aquele momento foi especial, pois Ana colocou perante o Senhor o que acontecia dentro dela.

O que mais chama minha atenção, foi que Deus não prometeu nada para a Ana. Apesar dela ter feito um voto, Deus não prometeu nada e ela sabia muito bem.

O mais lindo dessa história é que sem resposta de promessa alguma, Ana obtem paz do Senhor e volta fortalecida com a certeza que tomou a melhor decisão: derramar-se perante o Único que pode aliviar nossas breves aflições nesse mundo. Ana louvou ao Senhor sem a certeza do plano para a vida dela.

Não sei se um dia serei mãe. Não sei se um dia terei meu Samuel, mas sei que Deus ouve cada um dos meus sentimentos e vai ajudar a passar por isso. As bençãos são diferentes para cada pessoa. Deus é soberano sobre todas as coisas, por mais que venha doer em nós.

Na verdade, hoje tenho um Samuel, e amo tanto meu sobrinho. Talvez ele seja o Samuel que orava na minha infância. Talvez você também tenha um Samuel para orar, para amar. Se um dia Deus te conceber filhos, louvado seja Deus. Caso não, louvado seja Deus também! Ele nos ama e cuidará no nosso coração. E assim como Samuel foi chamado por Deus no meio da noite para uma tarefa inesperada, talvez Deus tenha planos inesperados para sua vida.

Photo by Garon Piceli from Pexels

 

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Escrito por

Há quase dez anos mora na cidade cinza de São Paulo. Busca cores nas paletas que o Criador deixou. Graduou-se em Biologia e fez Mestrado na área de Neurocomportamental. Ama leitura e concorda com C.S.Lewis: "A experiência é uma professora cruel, mas você aprende. Meu Deus! Como você aprende!"

5 comentários em “O nome do meu filho

  1. Polly amei seu texto! E me fez lembrar esta musica:
    Se Deus fizer, Ele é Deus
    Se não fizer, Ele é Deus
    Se a porta abrir, Ele é Deus
    Mas se fechar, continua sendo Deus

    Se a doença vier, Ele é Deus
    Se curado eu for, Ele é Deus
    Se tudo der certo, Ele é Deus
    Mas se não der, continua sendo Deus

    Minha fé não está firmada
    Nas coisas que podes fazer
    Eu aprendi a Te adorar pelo que és

    Dele vêm o sim e o amém
    Somente dele e mais ninguém
    A Deus seja o louvor

    Curtido por 3 pessoas

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