Diamante ou insulfilm?

Quem me conhece sabe que sou muito comunicativa (pra não dizer tagarela). Se me der confiança, já era. Apesar de parecer como se eu fosse muito aberta a novos relacionamentos, às vezes uso isso como um mecanismo de defesa. Se eu falar muito e me apresentar do meu jeito, me protejo de alguém achar alguma coisa de mim. O que precisei aprender é que eu não controlo o que as pessoas pensam sobre mim e o que elas pensam pode ser até melhor do que o que eu quero que vejam, ou pior mesmo… hehehe…

O problema é que também uso essa “tática” com Deus.

Muitas vezes quero pintar um quadro pra Deus pra que Ele veja o que eu quero mostrar. Esqueço que foi Ele quem me fez e Ele sabe mais de mim do que eu mesma. Dia após dia tenho aprendido a ser mais autêntica e mais confortável em minha própria pele. Mas olhar pra mim mesma não é fácil, principalmente no começo, quando decidi olhar pra dentro.

Apesar de não ter estudado psicologia, sempre gostei de estudar, por mim mesma, o comportamento humano… o porquê de algumas coisas, o processo de chegar no momento em que decido quem sou e como sou. Uma das coisas que tenho aprendido é que o processo de se enxergar exige esforço, coragem e intencionalidade.

Olhar pra dentro de si sozinho pode ser um desastre!

Mas quando lembramos de um Pai que cuida de nós e nos ama incondicionalmente, podemos nos apossar de uma coragem que é necessária para mergulhar nessa pergunta: Quem sou eu?

O Salmo 139 é bem explícito sobre a presença de Deus nos acompanhando em todo tempo. Do começo do Salmo, até o versículo 18, Davi fala sobre não conseguirmos fugir de Deus, mesmo quando tentamos.

Já tentei complicar a voz de Deus. Achei que tinha “enganado” a Deus e o conceito que Ele tinha sobre mim era X ou Y, quando em Sua Palavra Ele declara seu imenso amor por mim. Por mais que eu tentasse me esconder atrás de alguma máscara, função, história, palavras ou traumas… A verdade continua e é uma constante, a verdade é Ele e vem Dele e ela começa e termina no amor, na graça e na misericórdia.

Aprendi o conceito de Imago Dei, a imagem de Deus em nós, como um diamante lindo e brilhante dentro de mim. À medida que a vida vai acontecendo, vou cobrindo esse diamante com insulfilm, aqueles de cobrir as janelas pra ficar mais escuro ou pra esconder alguma coisa, um tipo de espelho. Conforme vou cobrindo meu diamante, ele vai ficando mais opaco, menos visível. Vou perdendo minha essência e vou me entregando a essa imagem distorcida de mim mesma.

Quando encontro a Verdade de Deus sobre mim, vou descascando essas camadas de insulfim. Mas se você já arrancou insulfilm de algum vidro, você sabe como é difícil. Às vezes danifica o material no qual ele foi grudado, é preciso esfregar, às vezes cutucar, lixar, puxar com força e ao mesmo tempo com cuidado… Algumas verdades distorcidas estão tão grudadas que levam tempo e muito esforço.

Aqui em casa tem umas janelas com insulfilm velho. A cor já ficou estranha, os cantos estão manchados. Algumas partes da película se desgrudaram por si só, outras ressecaram e outras estão grudadas como se tivessem sido aplicadas ontem. Preciso trocar essa película, preciso limpar e fazer novo.

Assim também é o diamante dentro de mim. À medida que vou aprendendo sobre a fonte de tudo o que é bom e verdadeiro, vou tirando as camadas, vou limpando, vou brilhando. Quando descubro mais uma verdade ou quando me aproprio de uma verdade já conhecida experimento uma libertação que transcende meu intelecto e desafia a maneira com que enxergo a minha história. Nessa hora, as coisas se encaixam e eu posso ver a minha história alinhada à história maior, a história que começa Nele.

Talvez, assim como eu, você tenha acreditado em verdades distorcidas sobre você mesma. Essas camadas não deixam a essência de Deus brilhar dentro de você e são amarras que te prendem ao passado ou à maneira com que você enxerga a sua história. A boa notícia é que a verdade original está disponível e ela é free. Quando conseguimos olhar pra dentro para arrancar o insulfilm, ficamos mais perto do que Ele diz sobre nós e da realidade que é capaz de nos libertar e liberar para uma vida completa!

Quando sabemos quem somos ficamos livres para viver baseados nesse conhecimento.

Eu fico livre de rótulos que eu mesma me dei para ser o que sou realmente, filha de Deus criada em Sua imagem. Essa liberdade me ajuda a querer o bem, andar de acordo com o que descubro sobre mim a partir do meu Criador. Quer pessoa mais adequada para esse trabalho?

 

Fotografia: pine watt on Unsplash

Escrito por

Esposa, filha e nora de pastor. Casada, tem três filhos. Cresceu na igreja presbiteriana e hoje serve com o marido na quadrangular. É professora de inglês e metida a artista. Canta, desenha, pinta e faz artesanato. Ama o evangelho do Reino e da vida real e prefere ver a vida assim... verdadeira, sem muita maquiagem, porém com muita esperança e graça, sempre! Gosta de escrever sobre o cotidiano e como Deus é presente ali. Acredita que está ajudando na missão de transformar o mundo através da criação dos filhos. E segue em construção e desconstrução constante.

13 comentários em “Diamante ou insulfilm?

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