A piscina, o Prato de lentilha, a Tudhy e a difícil tarefa de nossas escolhas

Sobre as tantas decisões em nossas vidas, farei de uma forma diferente. Vamos começar pela Piscina.

A Piscina

Em pleno verão de Ribeirão Preto, na quarta série do ensino fundamental, apareceu um rapaz promovendo um passeio ao Thermas dos Laranjais. Um mega parque aquático que praticamente todos da minha sala já conheciam, menos eu. Além dos trabalhos da igreja serem aos finais de semana, o preço do passeio era incompatível com o orçamento familiar. Mas, eis que, aquele rapaz, com um monte de panfletos nas mãos e uma foto maravilhosa de uma piscina azul, propunha um passeio com desconto de 50%.

Essa piscina foi meu prato de lentilha!

O Prato de Lentilha 

A história é bem conhecida. Isaque pai de Esaú e Jacó tinha predileção por Esaú. Dessa forma, queria abençoar Esaú do mesmo modo que seu pai Abraão o havia o abençoado. Entretanto, anos atrás, Esaú ao chegar em casa cansado, encontrou seu irmão Jacó preparando um baita ensopado de lentilhas. Faminto, pediu um pouco. Jacó, que não era nem um pouco bobo, faz a seguinte proposta: daria o prato em troca da benção do seu pai.

Imagino o aroma delicioso daquelas lentilhas pois, Esaú aceitou. Trocou uma benção por um prato de lentilha.

Vamos voltar para a Piscina.

O meu prato de lentilha era cantar uma música e fazer uma certa dancinha para ganhar o cupom de 50%. Eu já imaginava o mergulho naquela piscina. Todavia, era algo repugnante que ia contra os princípios cristãos. Aquela música além de colocar a mulher como um objeto, ainda deturpava o comportamento principalmente das crianças que ouviam e achavam que seus corpos eram algo para serem usados para desejo.

Sabia que estava errada! Mas imaginava minhas mãos enrugadas saindo daquelas piscinas, e assim escolhi concorrer ao cupom. Apesar de ser uma negação na dança, o coral infantil da igreja me ajudou a ganhar pela voz.

Mesmo sendo criança, cheguei em casa arrasada com a escolha. Ao invés das canções de esperança do coral infantil, cantei algo que deturpa a imagem do ser humano. Confessei aos meus pais que me aconselharam a conversar com Deus. Perdi totalmente a vontade de ir para aquele parque.

Esse foi meu prato de lentilha da infância. Na vida adulta eles aparecem mais encorpados e são oferecidos todos os dias principalmente no mercado de trabalho.

A Tudhy

Pensa naquele abraço gostoso, naquela risada maravilhosa, assim era a Tudhy. Já falecida alguns anos atrás, foi extremamente amada e deixou um belo exemplo. Seu amor por Jesus transbordava. Sempre muito correta com tudo, lhe foi apresentado um baita prato de lentilha no trabalho. Era um prato tão grande que sua recusa significava praticamente a recusa de qualquer outro prato – ficaria sem emprego.

Creio que os maiores desafios para um cristão são aqueles que nos colocam a prova se confessamos mesmo a Jesus Cristo. Quando recebemos, em troca de aplauso e elogios, repúdio e desprezo. Tudhy foi repudiada por não aceitar aquele prato de lentilha no trabalho. Ficou desempregada. Seu exemplo é um entre vários cristãos que são confrontados todos os dias para tomar decisões sérias e que colocam à prova sua fé em Deus.

Os pratos de lentilhas são propostas boas aos nossos olhos e das demais pessoas, mas entram em conflito com a vontade e caráter de Deus. O medo de ficarmos à mercê financeiramente e sermos prejudicados profissionalmente começa a dominar nossas decisões, quando deveria ser apenas Deus. Aparecem em momentos difíceis como uma ótima solução para nossos problemas.

Esaú em Hebreus é citado como um exemplo dos profanos que trocam as bençãos espirituais por coisas materiais. Tudhy sofreu por ter escolhido o que era correto perante Deus. Mas foi abençoada espiritualmente. O Senhor mais tarde a abençoou com outro emprego.

Todavia não é regra sermos restituídos, na maioria das vezes a nossa confiança em Deus vai nos tirar do conforto e nos colocar num árduo caminho. Mas imagine poder repetir as palavras de Paulo: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. (2 Timóteo 4:7). Creio que a Tudhy pôde falar essas palavras.

E quando são decisões que não implicam em escolhas morais?

Fazer escolhas, tomar decisões nunca foi algo fácil pra mim. Que me perdoe a mulherada decidida, mas pra mim não é fácil. Aquela figura de mulher que escolhe de forma rápida não é muito o que acontece comigo. São tantas variáveis em minha mente. Um turbilhão de prós e contras.

Posso até decidir em alguns segundos, mas garanto que nesses segundos uma guerra, um debate, uma teia de possibilidades foram travados dentro de mim. Não é fácil!

Alguns anos atrás, entretanto, encontrei refrigério para minhas escolhas e decisões. Esse refrigério está em um Deus que não faz joguinhos sobre qual a escolha certa diante de duas possibilidades que não comprometem questões morais. Um Deus que se revela através de Sua Palavra para nos ensinar quais caminhos são bons. Ele nos ensina meios para que possamos nortear nossas escolhas.

Podemos questionar se uma escolha X vai comprometer os princípios que Deus estabeleceu para nossas vidas. Se aquela decisão não entrar em atrito com a Palavra de Deus, não tem por que ficar com receio, ainda mais se cremos em um Deus soberano, que cuidará dos nossos passos.

Percebo que muitas vezes dificultamos algumas coisas que são simples e objetivas. Achamos que Deus está sempre ocultando a Sua vontade, quando na verdade Ele nos agraciou, por meio da Sua Palavra, com os caminhos aplainados que devemos seguir. Sua Palavra é nosso manual para tomadas de decisões e escolhas.

Saber que Deus não faz esse tipo de joguinhos e testes é libertador! Ao mesmo tempo buscar conhecer a Sua Palavra fica mais sério e criterioso pois não podemos esquecer também que pratos de lentilhas são frequentes. Nossas decisões não podem ser tomadas de forma irresponsável, mas precisam ser ponderadas de acordo com a Verdade revelada. Uma decisão precipitada pode ocasionar uma tempestade nada agradável.

O mais interessante é que a principal escolha, a mais dolorosa e mais maravilhosa em minha vida, não partiu de mim, mas partiu da graça de Deus ao me dar a salvação por meio de Cristo Jesus. Nessa decisão descanso meu coração, sabendo que Ele é o meu Leme e peço que me dê coragem com aquelas que colocarão à prova a minha confissão nEle como meu salvador e Senhor .

Fotografia:  Emily Morter on Unsplash

 

Escrito por

Há quase dez anos mora na cidade cinza de São Paulo. Busca cores nas paletas que o Criador deixou. Graduou-se em Biologia e fez Mestrado na área de Neurocomportamental. Ama leitura e concorda com C.S.Lewis: "A experiência é uma professora cruel, mas você aprende. Meu Deus! Como você aprende!"

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