Peça, busque e bata!

Sempre ensinei minhas filhas a não desistirem. “Ah, não tem jeito”! “Tem sim!” “Não tem!” “Tem! Argumente! Calce seu pensamento e expresse em palavras!” “Mas eu já tentei!” “Tente mais! Mude a estratégia. Busque outro caminho, não desista!” Na verdade, essa sou eu! Para eu desistir de algo, só mesmo se Deus não quiser! Enquanto não tenho esse discernimento, vou continuar tentando e tentando e tentando.

Sou aquela “chata” que liga no SAC do produto quando apresenta qualquer problema. Daquela que fala com o gerente se o atendimento deixou a desejar. Daquela que pára na rua e se mete onde não foi chamada. Daquela que tenta de todas as maneiras resolver uma questão. Seja ela qual for. Desistir fácil? Ah… esse não é meu lema mesmo!

Quando eu tinha 17 anos, passei no Vestibular. Curso de Letras. Cursei dois anos, houve uma greve na faculdade meio prolongada… acabei deixando o curso. Era nova, trabalhava com meus pais e a vida foi seguindo. Aos 25 me casei. Vinte anos depois, Aos 37, já com duas filhas (uma delas bebê de apenas um ano), fiz vestibular de novo, pro mesmo curso, na mesma faculdade, passei com uma boa colocação e lá estava eu de novo na sala de aula. Um ano depois, consegui transferência para uma universidade pública, mesmo curso, o que foi fundamental por causa do alto custo na outra faculdade. Ambos os currículos contemplavam Português e Inglês.

Estava eu bem engajada e animada com o curso, quando Deus muda totalmente o rumo da minha família, levando-nos pra outra cidade, outro estado e eu, sem saber o que poderia acontecer em um ano ou dois, tranquei a faculdade.

Na nova cidade, após seis meses, e percebendo que talvez nosso tempo ali se prolongasse, tentei uma transferência para outra faculdade. A notícia que tive foi: “houve uma mudança recente no nosso regimento interno.” Disseram que poderiam acatar as disciplinas já cursadas, mas eu teria de prestar vestibular novamente. Confesso que fiquei desapontada, mas decidi seguir em frente. Quando as inscrições para o vestibular foram abertas, lá fui eu pra fila. Só que me deparei com um problema: o curso de Letras era matutino e minhas filhas estudavam à tarde, ou seja, impossível pra mim. A atendente disse: “Mas tem o curso Letras/Tradução, que é à tarde. Saí de lá consternada e tentando entender o que estava acontecendo. Eu não queria o curso de Letras/Tradução! Queria Letras!!! Resolvi marcar uma conversa com a Coordenadora do tal curso.

Ela me recebeu muito bem, encorajou-me a não perder aquele semestre a mais sem estudar, e disse que no final do ano, se eu não quisesse seguir com o curso, era só fazer uma transferência interna e mudar para o outro. Aceitei a sugestão e lá fui eu novamente pra fila.

Fiz o vestibular, passei e comecei com as aulas em agosto de 2001. O curso era interessante, promissor, mas minha paixão mesmo não era a tradução. Fiz Francês naquele semestre e foi uma boa experiência, mas tinha também o Inglês além do Português. No final do ano, na data apropriada, e já tendo planejado a transferência das meninas para o período da manhã no ano seguinte, lá fui eu na Secretaria Geral da Universidade, preencher o documento solicitando a transferência de curso para o próximo semestre letivo. Qual não foi minha surpresa ao ler a resposta alguns dias depois! A informação era de que em recente documento promulgado pela reitoria, a partir daquele mês não era mais possível haver transferência interna, a não ser que o candidato prestasse novo vestibular e fosse aprovado. Morri!

Como assim??? Fazer outro vestibular, na mesma Universidade, seis meses depois de ter feito um, e sido aprovada? Eu não podia acreditar! Procurei outras instâncias da Universidade na tentativa de resolver a questão, mas não tinha outro jeito: ou outro vestibular, ou nada feito! Confesso que eu não estava em condições emocionais de fazer outro vestibular naquele momento, então me matriculei para apenas algumas disciplinas do semestre seguinte, no curso de Tradução mesmo, disciplinas essas que poderiam ser aproveitadas no outro curso algum dia. Passados mais seis meses, em junho de 2002, lá estava eu novamente prestando vestibular pela quarta vez na vida, para o MESMO curso, tendo sido aprovada em todos eles. Parece brincadeira né?

Aprovada pela quarta vez, lá fui eu pra sala de aula e, dessa vez, com uma nova língua: Espanhol. Uau! Eu nunca tinha pensado em estudar Espanhol! Fui dispensada de todas as matérias estudadas anteriormente e passei os dois primeiros anos, na mesma classe, assistindo a todas as aulas, mas matriculada apenas nas disciplinas da Língua Espanhola: Língua Espanhola, Produção de Texto, Literatura Espanhola, Literatura Hispano-americana. Após conversar com cada professor, e recebendo permissão, optei por assistir todas as outras aulas (apenas como ouvinte), para criar vínculo com a turma e não ficar pulando de sala em sala.

Finalmente, em junho de 2006, depois de muito buscar a vontade de Deus e procurar segui-la, concluí o Bacharelado e Licenciatura em Letras, Português/Espanhol, em uma das cinco melhores universidades privadas do país. Foi uma jornada fácil? Não. Houve sacrifícios? Muitos. O mérito foi todo meu? Não! Absolutamente! Em primeiro lugar, Deus me deu força, ânimo e sabedoria. Em segundo lugar, o apoio do meu marido foi fundamental. Eu poderia ter desistido? Ah se poderia… tive muitos motivos pra isso. O importante mesmo, em situações aparentemente impossíveis de serem vencidas, é mantermos o foco, buscarmos caminhos, batermos em portas e mais portas, apenas cuidando que sempre tudo seja feito debaixo da dependência e submissão à perfeita e suficiente vontade de Deus. Ainda por cima, acabei me apaixonando pelo Espanhol!

Ah, e só pra constar, no ano da minha formatura ingressei no programa de Mestrado, concluindo-o dois anos depois, quando recebi o grau de Mestre em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

“E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.” Lucas 11:9-10.

 

Fotografia: MD Duran on Unsplash

 

Escrito por

30 anos de casada com um marido lindo! Duas filhas: Jessica (26) e Isabela (21). Candanga, fiquei em Brasília até os 12 anos. Daí fui pra Recife, onde fiquei quatro anos. De lá fui para Anápolis onde fiquei nove anos. Daí casei-me e fui pra Goiânia, onde passei quatro anos. Voltei para Anápolis e lá vivi mais nove anos. Agora já são 17 em São Paulo. Se fizer as contas, descobrirá que tenho 55 anos! Pode-se imaginar que meu sotaque é uma bagunça! 2017 foi meu Jubileu de Prata trabalhando em Missões Transculturais! 25 anos tentando fazer o que o Senhor me chamou pra fazer. Foram nove anos com Asas de Socorro e já são 17 com a APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais. Amo demais o que faço. Forever!

49 comentários em “Peça, busque e bata!

  1. Amei conhecer sua história de perseverança e também saber que é formada em espanhol, não sabia. Parabéns irmã Mônica, você é um exemplo para muitos. Me fez lembrar da minha mãe que entrou na faculdade de Letras aos 40 anos e percorria todos os dias 60km para chegar na universidade, fez duas pós-graduações na área e um mestrado. Bom, minha mãe já me visitou aqui na Argentina, só falta você!

    Curtido por 2 pessoas

  2. Simplesmente adorável ! O que trouxe “peso” ao texto , foi tua história pessoal de perseverança !
    Amei!
    Acho que há vários tipos de perseverança !
    Definitivamente este tipo que você retratou , e tão bem, não tenho e admiro muitíssimo!
    Parabéns pelo texto e pela perseverança no teu caminhar pela vida!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Olá,Mônica
    Bem transparente sua descrição,vejo que vc ficou expert em vestibulares.!
    E persistiu
    Parabéns com louvor !.
    Ao ler o texto pude sentir que a história deveria ir
    bem mais longe e capítulos outros do livro,seriam acrescentados .
    Não nos dá vontade de concordar que tenha findado está vivência maravilhosa de seus questionamentos .
    Posso sentir sua enorme vontade de “Viver” em atitude dinâmica servindo sempre no vasto campo do Senhor.
    Aprendi no curso de Antropologia que deve-se escrever ,escrever tudo,registrar tudo,assim como vc o fez.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Rosa! Não sei se essa vivência já findou… estou aqui e o Senhor sabe que tudo o que mais quero é SEMPRE fazer sua vontade.
      Não cursei Antropologia, mas faço essa “escreveção” toda desde que me entendo por gente. rsrsrs

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  4. Que jornada de força e persistência! Vc é um exemplo de coragem Mônica. Sou sua fã! Creio realmente que Deus traçou esse plano, mas vc não desistiu dele. Deus é maravilhoso! Ah! Continue escrevendo histórias como essa nos fortalece!. bjs

    Curtido por 1 pessoa

  5. Querida Mônica, tenho muita alegria de poder dizer que sou sua amiga, você é uma mulher incrível e admirável, resiliente e persistente também, e haja persistência، outras teriam desistido ou “entendido” que esse curso não era pra elas, e o que muitas vezes o que não entendemos é que Deus tem planos! O plano é perfeito, e enquanto Deus realiza o plano podem haver alguns contratempos, mas o plano vai se realizar! Essa é a certeza que temos.

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  6. Saudades minha inspiradora.
    Ja te admirava sem saber esses detalhes, o resultado é plausivel e sei que toda sua perseverança vem desta paixão que tem por nosso Pai Celestial. Nao canso de dizer que amooo você e sua familia exemplar.
    Bjs e que Deus continue te usando grandemente.

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  7. Hola Cariño.
    Quizás te acuerdes de me. Pero te voy a dar una pista: fue tu alumna en 97 en Belo Horizonte. Hoy estoy sirviendo en Valencia, España.
    Recibi tu artículo hoy cuando iba trabajar. Ahora he parado y decidir leerlo. Que belleza.! Tus palabras me han tocado el corazón .! Me alegro por lo que has logrado hasta aquí. Como dicen los españoles: estoy flipando! En realidad tu eres una Valiente!
    Te echo de menos y es un honor conocerte. Venir a visitarme. Please rsrs
    un gran abrazo. Marcilene

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    1. Marcilene!!! Que saudade menina! Quanto tempo! Fui dar aula no CETRAMI em setembro e perguntei de você. Puxa vida, temos muitas figurinhas pra trocar heim?! Que bom que o texto nos reaproximou! Te quiero Corazón!

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  8. Mônica…você sempre nos surpreendendo!!! Sabia que é aguerrida, mas essa parte de sua história eu não conhecia. Parabéns! Fiquei aqui pensando com meus botões: e o livro sobre a história de vida de vocês? Quando teremos o privilégio de apreciá-lo? Sua escrita é leve, mas profunda. Você é um exemplo de perseverança e fé. Um abraço fraterno.

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