É que eu quero evitar a fadiga!

Dias atrás eu estava escrevendo um comentário num post de um amigo no Facebook, mas, depois de finalizado, resolvi apagá-lo e desisti de postar. “É que eu quero evitar a fadiga”, como diria o seu Jaiminho. Continuei fazendo as minhas coisas, mas aquilo não saía da minha cabeça. Por que eu apaguei aquele comentário? “Para evitar falatório”, pensei. Mas por que haveria falatório? “Porque as pessoas são chatas, claro”. Será? Será mesmo que as pessoas são chatas e reclamam de tudo, ou será que existe a mínima possibilidade do que eu escrevi estar errado e ser ofensivo? Pronto. Não conseguia fazer mais nada. Aquele post ocupava todos os espaços do meu cérebro, cada palavra surgia piscando em neon, e eu então comecei a refletir em cada uma delas.

Num primeiro momento, ao lado de cada palavra em neon, brilhava com a mesma força uma justificativa para seu uso. É possível que eu fosse até capaz de escrever uma monografia exegética para provar que eu tinha razão, caso fosse preciso. Mas depois de passar a fase da “autojustificação”, eu decidi reescrever aquele comentário e ler como se tivesse sido escrito por outra pessoa, e de repente me encontrei completamente chocada com aquilo. O que estava escrito era totalmente desnecessário, não iria acrescentar nada a ninguém e ainda poderia deixar alguém triste ou chateado.

Eu sou uma das pessoas que acha que esse mundo tá chato, que não podemos falar mais nada que começa um mimimi sem fim, que estamos debaixo da “ditadura do politicamente correto”. Porém, por haver pessoas extremamente chatas e reclamonas, eu estava começando a ir para um outro extremo, igualmente perigoso. O fato de eu não querer ser dominada pelo politicamente correto, não pode me fazer ignorar o que os outros pensam ou sentem.

Me lembrei do texto de Romanos 14.15, que diz: “E, se outro irmão se aflige em razão do que você come, ao ingerir esse alimento você não age com amor[…].” Aqui, Paulo não está entrando no mérito se era certo ou não comer – no verso anterior ele já havia dito que o alimento em si não é impuro – mas estava afirmando que se comer aquele alimento trouxesse aflição ao coração do outro, valeria a pena deixar de fazê-lo. Percebi que eu precisava parar de analisar se o que eu estava falando era certo ou não, mas considerar se eu estava agindo com amor ao dizer, escrever ou mesmo pensar alguma coisa.

Sim, continuo achando que não posso e nem devo me submeter ao politicamente correto, mas posso e devo me submeter à ética do Evangelho de Cristo. É o que o Senhor Jesus diz que vai medir o que eu digo. Quando, antes de agir (ou escrever um post), eu penso com a mente de Cristo, consigo diminuir incrivelmente as chances tanto de ofender alguém sem necessidade quanto de passar a mão na cabeça de alguém que precisa enxergar seu erro. Não preciso deixar de falar algumas coisas pra evitar a fadiga. Às vezes a fadiga é necessária, e importante, e boa! Se é verdadeiramente a ética de Cristo o padrão para meus pensamentos e ações, o que eu fizer será com e por amor, e o que é ou não politicamente correto se torna irrelevante. Pensando nisso, consegui reescrever aquele meu post, transformando-o de arrogante em edificante, e me senti leve e em paz. “Deveria estar fazendo isso há muito tempo”, pensei, mas nunca é tarde pra começar!

Fotografia: Amy Shamblen on Unsplash

Escrito por

Sou goiana de nascimento, brasiliense de coração, mas cidadã do Brasil todo. Como filha de pastor, já perdi as contas de em quantas casas morei! Bíblia, teologia, enfermagem, futebol, música, cinema (muito cinema), séries (muitas séries), livros (muitos livros), esportes (mais assistir que praticar)... tudo isso mexe com meu coração. Sou metida a escritora (escrevi o livro "Copo com gelo") e movida à saudade! Vamos conversar?

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