No débito ou no crédito?

Em 1517 um teológo alemão pregou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg uma lista de críticas às práticas distorcidas da Igreja Católica e ao comportamento abusivo do Papa da época. Posteriormente essa lista de críticas ficou conhecida como “As 95 teses” e esse foi um marco na História porque desencadeou um movimento religioso conhecido como “A Reforma Protestante”. Lutero foi amplamente combatido por sua idéia de que não há nada que uma pessoa possa fazer para merecer o favor de Deus, ou seja, a única forma é através da fé em Jesus Cristo, meio pela qual os pecados são perdoados. Na época de Lutero aquilo que hoje entendemos como graça simplesmente não existia e haviam práticas absurdas de pagamento pela salvação. Os pagamentos poderiam ser em propriedades, jóias ou obras de arte; se não fosse o esclarecimento divino dado a Lutero, hoje poderíamos comprar nossa salvação no débito ou no crédito. Já pensou?

As idéias de Lutero provocaram uma verdadeira revolução religiosa na Europa. Diante de tanto reboliço, ele foi chamado à Roma para prestar esclarecimentos ao Papa. Acusado de heresia, foi orientado a se retratar publicamente  para que, uma vez tendo se retratado, as coisas gradualmente voltassem à normalidade. A resposta de Lutero, no entanto, foi a seguinte: “A menos que vocês me provem pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém”.

Nunca vivemos um período de tanto relativismo. Sem um padrão absoluto, sem uma referência sólida, tudo passa a ter vários viés e cada um deles tem “a sua verdade”. Ora, se há várias verdades, como identificamos a mentira? A Bíblia é muito clara que verdade, só existe uma: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32). Mas como devemos nos posicionar com nossos princípios e valores diante desse cenário?

Alguns de nós podem se sentir intimidados e preferir uma postura mais isenta; outros, preferem ir ao extremo da intolerância, não dando espaço a pessoas que professam religiões diferentes e tem princípios e valores discordantes dos nossos. No meio dessa guerra, ainda temos as redes sociais para colocar mais lenha na fogueira.

Vamos à uma análise rápida?

Ser politicamente correto exige um alto grau de desprendimento com sua própria opinião e com seus valores. Implica em adotar um discurso muitas vezes dúbio para não criar caso com ninguém. A gente não quer se indispor com outras pessoas; buscamos aprovações de amigos reais e virtuais, queremos muitos likes nas nossas publicações e curtidas nas nossas fotos. O ditado “agradar gregos e troianos” se aplica bem a esse contexto.

Por outro lado, ter um compromisso com a Verdade (não ser politicamente correto) exige muito de nós. Precisamos ter sabedoria pra escolher quais discussões merecem ser debatidas, quais palavras utilizar, em que momento as coisas devem ser ditas e temos que levar em conta que em tudo que fizermos Deus seja glorificado (I Pedro 4:11).

Ou seja, ser politicamente correto é muito mais fácil! Mas imagine se Jesus tivesse sido politicamente correto? Se perante os doutores da lei, ou perante o Sinédrio, Jesus tivesse apresentado uma outra versão de todo o relato bíblico? Vocês conseguem imaginar Jesus dizendo: “Senhor fariseu, o senhor entendeu tudo errado. Não era bem aquilo que eu estava dizendo, vou me retratar publicamente e esclarecer o mal entendido. Amigos?” Tal suposição é inconcebível a qualquer pessoa que conhece o Evangelho (“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria? Números 23:19).

Sendo assim, devemos permanecer firmes em nossas convicções e nos posicionarmos quando requeridos. A aprovação que devemos buscar, acima de tudo, é a aprovação daquEle que nos perdoou os pecados e nos salvou do inferno. E, por fim, devemos pedir a Deus que nos conceda sabedoria para dialogar/conviver com pessoas que pensam diferente de nós. O desafio é se manter firme na Verdade – não a sua ou a minha verdade, mas a Verdade absoluta na pessoa de Jesus – sem negociar ou flertar com o relativismo mas também sem ofender os outros de forma gratuita. Sobre como usar as redes sociais, já abordamos o tema no texto Sabedoria.com, vale a leitura! (para ler, clique aqui).

Fotografia: Aaron Burden on Unsplash

 

 

Escrito por

Brasileira por nascimento e espanhola no passaporte, casada com o Marco Antonio, cristã desde os sete anos de idade. Já trabalhou como enfermeira, manicure, maquiadora, contabilista, auditora e modelo plus size. Viajante frequente, após doze anos como executiva de Auditoria, descobriu que precisava de uma pausa para repensar a vida e redefinir as prioridades. Gosta muito de redes sociais, é apaixonada por tudo que faz e super curtiu quando o Facebook lançou as reações, principalmente o "amei".

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