O Medo e nosso Prêmio Abacaxi

Quando tinha cerca de uns 12 anos de idade, me inscrevi para um concurso de poesia promovido pela minha igreja. Primeira vez que apresentaria algo de minha autoria. Minha mãe, ao perceber meus vários rascunhos e tentativas de escrever, aconselhou-me a falar sobre um sentimento que fosse profundo. Esmerei a colocar no papel, em forma de poesia. Ficou pronta! Foi lida na frente de todos. O nome da minha poesia, “O Medo”.

Ganhei o concurso. Anunciaram a poesia campeã e pediram para o autor ir até a frente receber o prêmio. No meu orgulho de menina foi um máximo. Entretanto, assim que abri o prêmio, me deparei com um belo abacaxi. Isso mesmo, o prêmio era um abacaxi (igrejas cuidado com quem vocês colocam à frente dos eventos, rs). Não havia mais aplausos, estava diante de risadas. A poesia havia sido concretizada.

Mais tarde na minha juventude, em um acampamento, nessas conversas de altas horas da noite, surgiu o assunto medo. Um por um foi expondo seus medos profundos.  A regra era que todos deveriam ser sinceros. Fui sincera! Naquela roda de conversa expus um dos maiores medos da minha vida. Com um silêncio ensurdecedor, percebi que, ali, estava o meu segundo prêmio abacaxi. Não havia risadas mas, havia um peso absurdo e uma certa ridicularização do meu medo.

Você se expõe e não espera que o outro entenda, mas espera que exista devido respeito. Afinal de contas, é a sua história, são seus sentimentos que estão expostos.

Quantos Prêmios Abacaxis você já recebeu por expor seus medos? A falta de sensibilidade ou a não compreensão em forma de uma certa ironia!? Para o outro é algo simples até patético. Mas para você é um monstro debaixo da cama que às vezes o acorda no meio da noite deixando-o encolhido e pensativo.

Entretanto, quantos Prêmios Abacaxis você já entregou para quem expôs um sentimento,  uma dificuldade, um medo, esperando sua compreensão e ao invés de você respeitar, escutar, tratou como se fosse algo sem importância ou, com um enorme peso de julgamento?

Lembro sempre de Pedro andando sobre as águas. Mesmo diante de Cristo, Pedro ficou temeroso. Mesmo diante de algo extraordinário, sentiu medo e começou a afundar. O medo nos afunda, mas, assim como aconteceu com Pedro, Jesus logo estende as mãos para nos socorrer. Mesmo com uma fé pequena sempre lá está Cristo!

Aos poucos Deus nos ensina a lidarmos com os Prêmios Abacaxis. Aprendemos que jamais receberemos algo assim dEle. Todavia, seremos premiados por algumas pessoas. Teremos que decidir se iremos segurá-los como fardo espinhado, ou iremos descasca-los para um refrescante suco.

Os Abacaxis nos dão sensibilidade para que o sentimento do outro seja tratado com devido respeito. São eles que em determinada trajetória de nossas vidas irão nos ensinar belas lições de fé e confiança em Deus. O Senhor sabe de cada um dos nossos medos e se mantém em pé diante da tempestade com a mão estendida. Imagino Ele com uma fala séria e um sorriso no rosto a nos dizer: […] por que duvidaste? Mateus 14:31

Fotografia: Livewallpaperhd.com

 

Escrito por

Há quase dez anos mora na cidade cinza de São Paulo. Busca cores nas paletas que o Criador deixou. Graduou-se em Biologia e fez Mestrado na área de Neurocomportamental. Ama leitura e concorda com C.S.Lewis: "A experiência é uma professora cruel, mas você aprende. Meu Deus! Como você aprende!"

2 comentários em “O Medo e nosso Prêmio Abacaxi

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