“Fracassos?”


Desde muito cedo, planejamos como queremos que as coisas aconteçam na nossa vida. O que a princípio não é algo ruim, pois é necessário nos prepararmos para o futuro. Porém, somos sempre surpreendidos com acontecimentos que não esperávamos, sem contar que muitas vezes nós alteramos os planos, não seguindo o nosso próprio planejamento.


Quando paro para refletir e mentalizo minha vida em uma linha cronológica, é sempre um desafio não sucumbir ao desejo de poder voltar atrás e mudar o passado, na doce ilusão de que, dessa forma, poderia seguir por caminhos diferentes do que segui. Preciso entender que carrego consequências do meu passado, mas que não sou definida por ele. Saber que não sou a mesma pessoa que costumava ser é uma tarefa muito difícil para mim.


Primeiro porque eu sei que poderia ter agido diferente diante de algumas situações, mas por causa da minha imaturidade ou, simplesmente, por ser uma pessoa falha, tive atitudes das quais me arrependo. Em segundo lugar, sei que existem acontecimentos que estão fora do meu controle e que não dependem de mim ou de qualquer outra pessoa, e isso faz com que eu me torne uma pessoa muito ansiosa. Olhando para o meu passado, sempre vejo que sou incapaz de muda-lo, e que nem mesmo posso controlar aquilo que me acontece. Por conta disso, uma por uma as dúvidas e preocupações vão entrando e envenenado minha mente e coração.

Como seria se as coisas fossem diferentes? E se eu tivesse escolhido outros caminhos? E a mais difícil: será que se eu tivesse a oportunidade de voltar atrás, faria com que as coisas se tornassem realmente melhores? Por muito tempo fiquei presa nesse ciclo de pensamentos que não apresentam nenhuma solução, muito menos esperança. Tudo que me restava, então, era sempre questionar o passado ao invés de fazer diferente onde eu realmente posso fazer diferente, que é no presente. É como se eu me sentasse na minha poltrona imaginária e fizesse uma maratona com as cenas da minha vida. Daí quando chegasse na última cena, voltaria para a primeira e recomeçaria a série que eu gosto de chamar “Fracassos Pessoais – uma produção independente”.


Os principais sentimentos que me levavam a esses questionamentos eram de culpa por ter feito algo de que não me orgulho, e a insegurança de não entender por completo o porquê de ter experimentado algumas situações que estavam fora do meu controle e que me fizeram sofrer. Eu gostaria mesmo é que essas situações não tivessem acontecido.


A minha culpa também não era só um produto das minhas ações do passado, mas também por não ser capaz de focar no presente e de saber que eu estava perdoada. Além do mais, eu não era capaz de me desvencilhar dessas memórias.


A saída para essas revisitações ao passado, que não possuem nenhum proveito, está claras para nós na Bíblia. Nela temos a segurança que nossos pecados são perdoados por meio de Cristo, que sacrificialmente morreu na cruz por mim… por nós! São perdoados quando confessamos e nos arrependemos, e não há necessidade de carregarmos o sentimento de culpa, pois nosso fardo pesado é tirado e assim somos transformados.

Sabemos que Deus está no controle de todas as coisas, e que Ele tem um propósito muito maior do que podemos conceber, mesmo quando estamos diante de situações que nos parecem árduas e sem razão.


São verdades que conhecemos, mas muitas vezes não temos guardadas em nossos corações, o que nos leva a sentimentos que deixam nossa alma fragilizada e sem esperanças de um futuro diferente do nosso passado. Precisarmos fazer um exercício diário para lembrarmos as verdades que Cristo traz através da sua Palavra, entendendo que nós não podemos estar no controle de tudo e que isso é bom, pois temos um Deus soberano que cuida de nós e tem todos os nossos dias escritos e determinados.


Por fim, a ideia que gostaria de passar não é a de exclusão do passado, porque ele é importante não só na nossa história individual, como também para todo o percurso da humanidade, mas sim revisitá-lo de uma maneira saudável. E toda essa trajetória de vida, tanto coletiva como de cada indivíduo, apesar dos empecilhos e tragédias, revela um Deus que é o mesmo ontem, hoje e sempre, e que operou e ainda opera grandes maravilhas, e que usa a narrativa da humanidade composta por passado, presente e futuro para cumprir o seu propósito.

Escrito por

Goiana de nascimento, cresceu em São Paulo até 2011, quando se mudou com sua família missionária para Guiné-Bissau e lá ficou até 2016. Aos 17 anos, está de volta em São Paulo estudando Letras.  É filha do Pastor Paulo e da Maria Bonita, e irmã mais velha do Timóteo. Desde pequena seus pais a incentivaram a ler e escrever. Seu livro preferido é “As Crônicas de Nárnia”. Gosta muito de viajar e fazer passeios aleatórios (ao mesmo tempo que é muito caseira!), de conhecer pessoas novas e conservar as amizades que surgem desses encontros. O seu sonho é poder impactar positivamente as pessoas a sua volta através de sua vida.

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