Quem as pessoas dizem que sou?

Quem é você? Se atreveria a dizer de maneira exata quem você é?

Sua resposta seria exatamente igual ao que diria ano passado? Ou até mesmo, no mês passado? Em meio ao caos que estamos vivendo, já somos diferentes somente pelo fato de não sairmos mais de casa por vários dias.

E o que os outros pensam de você? Quem as pessoas dizem que você é?

Jesus fez essa pergunta para seus discípulos em certa ocasião: “quem as multidões dizem que eu sou?” E recebeu mais de uma resposta. Em seguida, Ele pergunta para aqueles que vivem pertinho d’Ele, seus discípulos. “O que vocês dizem que eu sou?” Pedro foi o primeiro a responder. E a resposta que ele deu foi certeira, pois foi revelada por Deus.

Nossa identidade (segundo alguns teóricos e estudiosos) é formada por quem eu penso que sou (como me vejo) e pelo que dizem que sou. Por isso a fase de maior crise em nossas vidas é na adolescência. Uma fase de descobertas e muitos questionamentos. Questiona-se porque se usa determinada roupa, porque se ouve tal de tipo música (se gosta de rock tem que ser chamado de rockeiro), se gosta de rosa é menina, se não gosta pode ter um conflito de sexualidade (e por aí vão os julgamentos)…

Parece que ficamos perdidas no meio de um tiroteio. Eu penso uma coisa sobre mim, e várias pessoas em minha volta ficam dando suas opiniões sobre quem eu sou e o que devo fazer. Muitas vezes pegam um pequeno recorte do que fiz e com isso determinam tudo que acham que eu sou.

Se chegar num lugar mais discreta, sou definida como quieta. Se chegar num lugar falando e rindo, sou definida como alguém extrovertida e faladeira. Se você está para casar, vão perguntar o porquê, ou se tem certeza que deve. Se casar e não tiver filhos logo de cara, vão perguntar o porquê, ou se pode ter filhos! Se casar e já engravidar, vão dizer que deveria ter esperado mais. Se engravidar, vão falar várias coisas sobre abortos, partos difíceis, vida que não é mais sua e etc. Quando nasce, vão dizer que você já está com o rosto diferente. E por aí vai.

Citei as coisas acima não porque estão erradas ou não deveriam ser ditas, mas porque em meio ao tiroteio de palavras, podemos nos perder sobre quem somos de verdade.

Quem aqui já não teve a experiência de estar em paz sobre algo da vida, e uma pergunta te fazer ficar insegura? “Será que é assim mesmo? Será que é só uma gripe? Será que ele te ama?” Nossa, o umbigo do bebê não caiu ainda? (bem no dia seguinte saiu um pouco de sangue, e vou lá pro Google e atrás de alguma amiga enfermeira pra me acalmar).

Diante de tantas vozes, perguntas e julgamentos observo algumas reações possíveis:

Podemos “espanar” e cantar/gritar “eu nasci assim, vou morrer assim, Gabriela!”. Vamos dizer: sou assim e pronto! Como justificativa pra não abrir mão e voltar atrás de quem sou. Ninguém tem que se intrometer! Pagam minhas contas?

Ou, podemos ficar igual “barata tonta”. Toda hora vou mudar quem sou porque o grupo de pessoas A ou B disse que sou quieta, falante, instável, mole ou dura. E passarei a vida toda me justificando. Passa da Síndrome de Gabriela pra Síndrome de Camaleão.

Nem um extremo, nem o outro são saudáveis.

Uma reação saudável, bíblica, essa é a que devemos buscar: o que Deus diz sobre quem eu sou! Quantas verdades bíblicas podemos encontrar sobre quem somos, na Palavra de Deus! Poderia fazer uma lista enorme aqui, mas te deixo esse desafio! Já fiz várias vezes, seja na adolescência, quando entrei para o seminário, quando assumi o ministério e me perdi em meio a tantas coisas que diziam que eu era ou que deveria ser. Precisei perguntar pro meu Pai quem de fato eu sou. Coloque essa lista num papel, pendurado na parede, pra não se esquecer! Ore por isso todos os dias!

Como citei, ouvir os outros faz parte da formação da nossa identidade. Mas, como Jesus fez, devemos saber quem ouvir. A verdade sobre nós só pode ser revelada pelo Pai. Existem pessoas que caminham conosco bem de perto. E até mesmo elas precisam do direcionamento de Deus para falar algo sobre nós, pois podem errar. Precisamos aprender a discernir quando a palavra dita vem de Deus.

A palavra que vem de Deus causa reflexão, arrependimento, traz solução e transformação, mesmo que acompanhada de dor. A palavra que não vem de Deus apenas nos deixa confusas, culpadas e causa remorso. A voz do Espírito cura, a que não vem dele só machuca, traz peso e medo de agir e reagir.

Jesus não precisava de auto afirmação, mas Ele se importou em saber qual era a opinião pública. Não podemos fundamentar a nossa vida na aprovação das pessoas, mas devemos ter o coração aberto e coragem para ouvir sobre nós.

Depois de ouvir, precisamos orar sobre o que ouvimos e pedir um coração sincero para filtrar e deixar-nos ser moldadas por Deus naquelas áreas.

Escolha bem as pessoas que vão pra caminhar com você, que oram e que se dedicam ao Senhor. Quantas vezes precisei retornar a essas pessoas, que de fato conviveram comigo para me conhecer, que agem sem parcialidade, e me ajudam a retornar a quem eu sou quando estou perdida. Muitas vezes tive que ouvir dessas pessoas coisas que não queria, mas que foram importantes.

Quem eu sou hoje está em constante transformação. Existem valores que fui criando na vida, que não mudam, e não devem mudar. Como por exemplo, minha fé. Mas as demais coisas… Ah meu Deus. Com certeza a Mônica da infância, da adolescência, da universidade, do trabalho, do seminário, e de tudo pelo que passei tem se tornado outra. Eu não nasci assim, com certeza!

Permita nascer em você, não uma nova versão (como diz o mundo), mas a versão de Cristo em você. Deus começou a me mostrar realmente quem eu era e quem eu deveria ser quando de verdade me coloquei face a face diante d’Ele, disposta a ser transformada.

Não devemos ser levadas pelas circunstâncias, mas devemos estar atentas, pois as circunstâncias revelam o que há em nosso coração para Deus moldar  (Paul Tripp). Dói, mas vale a pena. Interessante como isso dá medo, medo de nos colocar nas mãos de quem não vemos.

Posso dizer que hoje não devo dar ênfase à Mônica que eu era quando nasci, nem considerar o que sou hoje como um ser engessado ou imutável. A ênfase deve estar no que, na verdade, deixo para trás, no que não me apego, no que deixo de ser, para enfim poder experimentar aquilo que Deus quer fazer nascer em mim.

Existe um “vir a ser” em cada uma de nós que nos convida todos os dias, a cada circunstância. Cabe-nos deixar vir, para sermos tudo o que nosso Mestre deseja operar em nós. Sou bem melhor na versão de hoje, em constante transformação.

Escrito por

"Uma quase Campineira, casada com um baiano que conheceu no Instituto Bíblico Peniel, onde se formaram em Teologia, e uniram duas culturas diferentes, o que tem tornado suas vidas mais empolgantes e cheias de amor. Gosta de ler, ouvir boa música, apreciar o pôr do sol e tomar uma Coca com amigos. Nos últimos dois anos, completaram uma formação como missionários transculturais, e agora, ambos desejam alcançar os que ainda nunca ouviram falar sobre Deus."

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