Nem tudo é propaganda de margarina

Confesso que desde que a quarentena começou, esses dias “arrastados” estão me levando a pensar em algumas coisas…

Não sou analista política e nem assistente social. Também não sou da área médica e nem trabalho em setores essenciais. Então não vou me estender em questões abrangentes ou gerais, vou falar de mim e tentar inspirar você com alguma coisa que tenho vivido.

Nos primeiros dias, ficar o dia todo com o marido em casa foi uma novidade. A rotina dele é estar fora de casa das 7 às 18h00 de segunda a sexta-feira, e ele também faz inúmeras viagens, uma atrás da outra. Ainda assim, com uma mudança tão repentina e severa, nos adaptamos bem ficando juntos em casa o tempo todo. Engraçado que redescobri umas características dele, que com o tempo estavam meio desapercebidas: qualquer louça suja que ele vê, leva pra pia. Depois que comemos, tira tudo da mesa e leva pra cozinha. Tudo que pega e usa, guarda de volta no lugar. Gosta de tomar uma xícara de café com leite morninho, no meio da tarde. Gosta de comer pão na chapa de manhã – ele não toma café em casa, regularmente. Outro dia ele descascou um monte de batata doce (inédito isso!), já descascou outras coisas, e amassa o alho pra mim praticamente todo dia. Tô me sentindo!

Temos conversado mais do que antes da pandemia, bem mais. Como a rotina antes era bem pesada para ambos, a gente jantava, ele ia ver algum telejornal – não daquela emissora chata – eu ficava envolvida com um afazer aqui outro ali, depois banho e cama. Em geral eu durmo antes dele. Só que agora, temos passado mais tempo de qualidade juntos.

Minha filha caçula passou a ter as aulas da faculdade online, até que anteciparam as férias de julho. Dei a ela então uma tarefa também inédita: montar o cardápio da semana (segunda a sexta) e fazer o prato principal. Ela ficou empolgada e tem se saído muito bem. Já fez couve-flor gratinada, quiabo refogado, strogonoff de abobrinha, escondidinho, berinjela com especiarias, tomates recheados e por aí vai. Nunca tivemos a chance de fazer isso juntas antes. Ela sempre fazia uma coisinha aqui, outra ali, picava alguns legumes e verduras… mas agora tem sido um aprendizado que a levará, certamente, a dirigir muito bem a sua cozinha quando se casar. Tudo bem que ela faz um MONTE de perguntas, mas tá diminuindo.

Minha outra filha, que já é casada, tem vindo passar um tempo com a gente nos finais de semana: ou almoçamos no domingo ou ela vem sábado no final de tarde com o Daniel. Interessante que desde que ela se casou, também não tínhamos esse tempo mais elaborado e regular. Temos bastante tempo pra comer juntos e conversar.

Talvez você “estranhe” alguns quadros que estou pintando aqui, como sendo coisas normais e corriqueiras, mas quem mora na alucinante cidade de São Paulo vai entender direitinho o que estou falando.

Agora, como nem tudo na vida é propaganda de margarina, vamos para outro lado. Já são mais de 60 dias de reclusão, só saindo de casa pra ir ao mercado, sacolão ou farmácia. Estamos trabalhando no formato home office, como bilhões de outras pessoas pelo planeta, e assim vão umas oito horas por dia no computador, ou no telefone.

Quando chega aquela hora que você fica com OJERIZA de tela, fica insuportável ficar diante de qualquer uma: seja do computador, do smartphone, do tablet ou da TV. Daí nessa hora você inventa de arrumar um armário, ou uma gaveta, ou faxinar um canto, ou fazer algo não programado na cozinha. Como eu moro em apartamento, de dois quartos, sem varanda e nem áreas comuns, fico mais limitada do que quem mora numa casa, ou na roça ou algo parecido. Também não tenho um pet (infelizmente), que com certeza me distrairia muito. Só que tem uma coisa que não posso negar: minha leitura diária da Bíblia está SUPER em dia (estou até “adiantada”), e hoje inclusive terminei o livro de Jó. Tenho tido mais tempo de qualidade para oração, e isso não tem preço. Tenho podido aconselhar algumas pessoas mais amiúde e tenho conseguido escrever bastante! Meu novo livro está praticamente pronto!

Confesso que havia umas “tarefas” em stand by desde 2017. Eram coisas importantes, mas não algo que tivesse uma deadline. Mas quer saber? Consegui retomar e terminei tudinho!!! Nem tô acreditando.

Teve um sábado desses que amanheci bem mal… desanimada, apática, com cansaço generalizado… nem queria sair da cama. E quer saber? Me dei ao direito de passar aquele dia brisando, sem ficar me martirizando por isso.

Ontem foi domingo, 24 de maio, e à noite assisti um filme chamado “Deus não está morto – uma luz na escuridão” (sugiro que assista). Concordo plenamente com aquele mote que o personagem de Gana falou: “Deus é Bom o tempo todo, o tempo todo Deus é Bom”. É isso aí. Sem pandemia ou com pandemia, no céu carregado ou no de brigadeiro, no mar revolto ou nas ondas tranquilas, vamos repetir o quanto Deus é Bom, afinal, só Ele sabe o que vai (ou não) acontecer amanhã e Ele prometeu que TUDO coopera para o bem daqueles que o amam.

Escrito por

32 anos de casada com um marido lindo! Duas filhas: Jessica (27) e Isabela (23). Agora que a Jessica se casou temos também o Daniel! Candanga, fiquei em Brasília até os 12 anos. Daí fui pra Recife, onde fiquei quatro anos. De lá fui para Anápolis onde fiquei nove anos. Daí casei-me e fui pra Goiânia, onde passei quatro anos. Voltei para Anápolis e lá vivi mais nove anos. Agora já são 19 em São Paulo. Se fizer as contas, descobrirá que tenho 57 anos! Pode-se imaginar que meu sotaque é uma bagunça! 2017 foi meu Jubileu de Prata trabalhando em Missões Transculturais! 25 anos tentando fazer o que o Senhor me chamou pra fazer. Foram nove anos com Asas de Socorro e já são 19 com a APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais. Amo demais o que faço. Forever!

27 comentários em “Nem tudo é propaganda de margarina

    1. Olá Mônica, que texto agradável. Gostei dos seus vários quadros neste texto relatados, fui capaz de imaginar bem as cenas. Interessante, me identifiquei com alguns deles… Por que será, não é mesmo ? O meu marido também lava a louça e guarda tudo que está fora do lugar. Deve ser um prepré-requisito para ser líder em missões. Rsrs Mas é isso, esse tempo tem nos trazido alguns privilégios que há muito nao desfrutavamos. Que o Senhor nos guarde de perder todos eles, por não priorizar o que é verdadeiramente importante!

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      1. Márcia! Que legal você aqui no Karíssimas! Olha só… então os dois têm mais pontos em comum do que imaginávamos! hahahaha Amém! De fato precisamos de sabedoria do Alto para priorizarmos o que vem primeiro! Abração pra você!

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  1. Oi amiga..que bom saber com mais detalhes como está a rotina da sua família..e que está tudo bem e quanto aprendizado…que Deus continue abençoando. E que muita coisa boa ainda possa acontecer…#deuseboom…bjos

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  2. Parabéns Mônica. Muitos casais tem sentido dificuldade neste tempo recruso. Aqui em casa moro c minha filha c três pets . Está tranquilo ela não parou trabalha como Veterinária. Não mudou nossa rotina diária.
    Já assisti este filme é muito bom mesmo.
    Espero vê lá no próximo ano.

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  3. Olá amiga.
    Ótima exposição,narração bastante explícita.,….assim vão se os dias tão diferentes no plano terrário e transcorrendo conforme a agenda de Deus.
    Pode -se dizer que o que fica eterno são as horas que passamos cultuando e adorando nosso Deus.
    O resto não nos faz sentido!
    O melhor é plantarmos o amor do Pai com excelência.

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  4. Hola Monica, Boa Noite..!!

    Este texto está ciertísimo, creo que a la mayoría nos pasó, de mostrar nuestros talentos escondidos y olvidados por las muchisisma cosas que tenemos en el día a día (rsrsrs) y también nos toco aprender otras cosas que no nos atreviamos hacer por pensar que no podíamos lograrlo (algún arte en la cocina o en otra área) pero sobre todo nuestra relación Con Dios, leer 3 capítulos de la biblia por dia con los niños, orar todos por un mismo pedido, Covid-19.
    Monica, Obrigada por compartilhar um trecho mais de aquilo que você tem vivido como esposa, mãe e mulher, no meio da pandemia, é claro que você sempre inspira a muitos seguir na frente sem duvidar. Que Nosso Deus continue abençoando sua vida, forte abraço.

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  5. Amei! Mônica que gostoso ler seus textos tão autênticos e leves sem a pretensão de passar a imagem da propaganda de margarina. A vida como ela é com suas riquezas, em cada pequeno e aparentemente trivial detalhe. Agradeço a Deus por te conhecer e por poder absorver desses ensinamentos que o bom Deus nos dá de tantas formas graciosamente! Grande abraço Ester Barbosa

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      1. A leitura é uma das coisas que amo fazer que aos poucos e, principalmente, nesta quarentena estou voltando a fazer. É um prazer fazer leituras edificantes como essas e deixar de lado aquilo que não edifica, focar em tudo que é bom e agradável! Agradeço pelas leituras agradáveis ❣️🙏🏽😘

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