com ânimo É MELHOR

Em 04 de março de 2015, poucos dias depois de ter conhecido meu marido e exatos quatro dias antes de começarmos a namorar, ele me mandou sua costumeira mensagem de bom dia – depois de 15 dias de mensagens de bom dia a gente já pode chamar de costumeira, não?! Bem, a mensagem daquele dia era: “Bom dia, Cíntia!!! (viu só o ânimo). Que seja super produtivo.”. Quarenta e cinco minutos depois eu respondia: “Bom dia querido! Ânimo é bom! A vida é melhor quando estamos animados”. Ainda tenho o print dessa conversa no meu celular e, com frequência, recorremos a essa frase para nos encorajarmos mutuamente.

Estar animada é uma sensação maravilhosa! O nível de motivação vai lá no alto, os pensamentos se organizam rapidamente, os músculos respondem sem dificuldade e os sentidos estão aguçados – nenhum desafio parece tão difícil quando estamos assim! E existem pessoas que parecem estar sempre animadas e vivem como se nada pudesse abatê-las. Estão sempre otimistas, positivas, sorridentes. Problemas e obstáculos não intimidam tais pessoas. Contudo, já estamos nesse mundo o suficiente pra saber que ninguém está imune aos altos e baixos da vida e uma hora é fatal: o desânimo vai bater à porta. E quanto mais prolongada a dificuldade, mais profundamente o desânimo nos assola.

Tomemos como exemplo o momento em que estamos vivendo. Assim que a pandemia foi declarada pela Organização Mundial de Saúde, os italianos, que na ocasião viviam o epicentro da Covid-19, se recolheram às suas casas. Havia um senso patriótico, uma disposição de cada cidadão em fazer a sua parte para vencer o inimigo invisível, e os italianos foram às varandas e janelas para cantar. Foi lindo! Mas algumas semanas depois, ainda longe de poderem sair de casa, a cantoria cessou e os italianos começaram a mostrar sinais de desgaste (1): a luta estava pesada, difícil, e o desânimo dava suas caras.

É bem verdade que podemos experimentar o desânimo de maneira mais intensa – quase palpável – em nossos lockdowns, quarentenas e distanciamento social decorrentes da pandemia mas várias são as situações que podem nos deixar desanimados. O que fazer quando as orações não são atendidas, quando não há indícios de que as coisas vão melhorar, quando não se enxerga luz alguma no fim do túnel?

Em primeiro lugar, é importante salientar que o desânimo pode surgir de problemas físicos. Eu, por exemplo, que costumo ser uma pessoa disposta para fazer minhas atividades diárias, perdi totalmente o ânimo e a disposição. Sentia muito cansaço e fraqueza e depois de alguns dias sem melhora, descobri o diagnóstico: eu estava com Chikungunha. Com o tratamento, incluindo muitos dias de repouso, voltei a ter disposição para retomar minha rotina. Nós mulheres já somos usualmente sobrecarregadas, por isso nem sempre é o caso de um diagnóstico médico mas sim de sobrecarga. Agora, nos vemos com o desafio de administrar não só nosso trabalho, mas o home-office do marido, as aulas escolares dos filhos, os serviços domésticos (que não acabam nunca! Concordam?) e todos os cuidados extras que os tempos de pandemia exigem de nós como todos os procedimentos de entrar e sair de casa quando precisamos sair e lavar as compras antes de acomodá-las nos armários. Depois de várias semanas com uma rotina pesada e sem perspectiva de melhora, é natural que a gente desanime.

O desânimo também pode ter causas psicológicas. Vocês repararam no aumento de iniciativas voltadas para a saúde mental? Essa é uma preocupação real. Em tempos de vida normal, nós desenvolvemos mecanismos que nos ajudam a manter nossa mente saudável e boa parte desses mecanismos envolve algum tipo de contato social (aulas em grupo por aprendizado ou hobby, piqueniques no parque com os amigos, culto com a família na fé, refeições semanais com a família). Com as medidas adotadas para evitar aglomeração de pessoas, nos vimos então dentro de casa assistindo a vida passar pela janela ou, quando muito, pela tela da TV ou do celular. A terra parece ter parado, o tempo não – mas tudo que a gente faz é esperar o fim dessa pandemia sem nem uma dica de quando isso pode acontecer.

Além disso, nosso desânimo pode vir das notícias tristes que chegam até nós sem que nem precisemos ligar a TV no noticiário. Pessoas doentes, famílias enlutadas, a saúde pública levada ao limite, a economia em colapso e o cenário político brasileiro só fazem drenar nossa disposição para continuar lutando. E podemos listar as dificuldades que a gente já tinha antes da pandemia; adivinhem: elas continuam! Nossas doenças crônicas continuam. As dificuldades de relacionamento ainda nos rondam. A perseguição aos cristãos parou por causa do Corona Vírus? Infelizmente não. E as catástrofes naturais continuam acontecendo no mundo.

A vida com ânimo é melhor, nisso sei que estamos de acordo. Mas como manter o ânimo para continuar vivendo e perseverar diante de todo o sofrimento? A resposta é simples (não confunda com fácil): atenha-se às prioridades! E sua maior prioridade, em tempos de pandemia e fora dela, deve ser seu relacionamento com Deus. Assim como você não está negligenciando sua rotina de higiene – nunca lavamos tanto as mãos, não é verdade?! – não negligencie seu tempo com Deus e, de acordo com sua rotina, estabeleça formas de não auto-sabotar seu momento com Ele. Por exemplo: ao acordar, de manhã, sei que após me levantar serei sugada pela rotina da casa. Então, deixo o livro de devocional já bem perto de mim – se não for naquele momento, será mais difícil reorganizar a rotina mais tarde. Eu adoraria ter um cantinho só meu para esses momentos de leitura e reflexão mas moro num estúdio (quitinete) então o único lugar privativo seria o banheiro – e por razões óbvias, não é o adequado! Então, conto com a colaboração do meu esposo – se ele precisar de mim naquele momento, eu peço alguns minutos para terminar a devocional e então respondê-lo. É importante sinalizar às pessoas que moram conosco que naquele momento não podemos ser interrompidas, pois se trata de algo relevante e que não pode ser postergado. No caso de leitura da Bíblia, uma coisa que pode funcionar também é sincronizar a leitura com o áudio e usar um fone de ouvido; o fone já sinaliza aos demais moradores da casa que, naquele momento, não estamos disponíveis. Junto com a leitura da Bíblia e meditação, é importante também incluir um momento de oração. Como eu e meu marido oramos juntos, inserimos essa prática no período noturno, quando ele já terminou o trabalho e podemos orar sem pensar no relógio. Imaginem como, nesses dias, estão nossas listas de pedidos de oração? Pedimos por muita gente, é verdade, mas pedimos por nós também, por nosso relacionamento e por nossas famílias. Agradecemos. MUITO! São muitos os motivos de gratidão. E pedimos perdão – todo dia, cada vez por um pecado novo, que o Espírito Santo não deixa passar batido. Se você não consegue fazer a devocional sozinha – afinal todo mundo em casa quer um pedacinho da sua atenção! – reúna a família e façam a devocional juntos. Reúna as crianças, conte uma história bíblica, extraia um ensinamento bíblico, decorem um versículo, cantem uma musiquinha, faça uma atividade criativa – sua devocional pode ser mais simples de segunda à sexta e incrementada com mais atividades aos finais de semana. Por fim, escolha um dia e hora na semana para fazer um culto doméstico (aqui em casa nos reunimos às terças-feiras à noite e usamos um canal no YouTube que traz os hinos com as letras pra que a gente possa cantar). Se você está em casa com pessoas não cristãs, aproveite a oportunidade e convide-as para esse momento com você.

Você perceberá que, conforme sua prática devocional avança e mais intimidade com Deus você conquista, o encorajamento se tornará quase uma constante! Você acha que existe algo que Deus não consiga? Pois Ele diz: “Eu sou o Senhor, o Deus de toda a humanidade. Há alguma coisa difícil demais para mim?” (Jr 32:27). Não está vendo o fruto de seu trabalho e quer parar e jogar tudo para o alto? “Continuem fortes e firmes. Continuem ocupados no trabalho do Senhor, pois vocês sabem que todo o seu esforço nesse trabalho sempre traz proveito” (1Cor 15:58). Precisa de um refúgio? “A pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo e se abriga na sombra protetora do Todo-Poderoso pode dizer a ele: Ó Senhor Deus, tu és o meu defensor e o meu protetor. Tu és o meu Deus; eu confio em ti” (Salmo 91: 1-2). Sente-se fraca e com medo? Deus diz “Não fiquem com medo, pois estou com vocês; não se apavorem, pois eu sou o seu Deus. Eu lhes dou forças e os ajudo” (Isaías 41:10). O peso é muito grande e você não consegue suportar? “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação” (Filipenses 4:13). Preocupada com as finanças, o emprego, as contas? Em como será o amanhã? Todas nós estamos! E Ele, sabendo disso, nos diz: “Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês” (1Pe 5:6). Por fim, como não mencionar as palavras do próprio Jesus para nós? “Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo” (João 16:33).

Como não se sentir encorajada sabendo que o próprio Deus, na pessoa do seu Filho Jesus, experimentou toda sorte de dificuldades no mundo e não somente entende o que estamos sentindo mas venceu esse mundo e, unidos a Ele, já somos vencedoras! O que está na nossa mão, então? Com relação ao cansaço físico, é essencial pegar leve na lista de tarefas e, se possível, dividir as responsabilidades com quem está ao nosso redor. Dormir bem, beber bastante água e manter alguma atividade física (faxina conta, viu?!) ajudam a manter o corpo e a saúde física em ordem. Com relação aos aspectos psicológicos que drenam o nosso ânimo, podemos lançar mão da tecnologia. Ela ainda não permite abraçarmos nossos queridos pelo whatsapp; mesmo assim, é importante manter contato com as os familiares e amigos por telefone ou vídeo-chamada e acionar nossa rede de contatos quando bate aquela necessidade especial de conversar e desabafar. Se você achar que é o caso de buscar ajuda profissional, Psicológos e Terapeutas encontraram alternativas de atender os pacientes on-line e essa é uma boa maneira de ser ajudada por um profissional habilitado. E, por fim, lembrando que nosso relacionamento com Deus é prioridade, cabe a nós alimentar diariamente nossa alma com a leitura da Bíblia, a prática da oração e o louvor a Deus. Como meu relacionamento com aquele moço do começo do texto, o ânimo do nosso espírito precisa ser constantemente renovado – e esse é o caminho!

Nota da autora: (1) A entrevista em destaque é dos jornalistas Paula Ferreira e Walter Fernandes, missionários brasileiros que vivem em Desio na Lombardia e de quem veio a frase “a cantoria acabou”. Os textos bíblicos foram citados na Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

Escrito por

Brasileira por nascimento e espanhola no passaporte, casada com o Marco Antonio, cristã desde os sete anos de idade. Já trabalhou como enfermeira, manicure, maquiadora, contabilista, auditora e modelo plus size. Viajante frequente, após doze anos como executiva de Auditoria, descobriu que precisava de uma pausa para repensar a vida e redefinir as prioridades. Gosta muito de redes sociais, é apaixonada por tudo que faz e super curtiu quando o Facebook lançou as reações, principalmente o "amei".

5 comentários em “com ânimo É MELHOR

    1. Nana, querida, é isso mesmo! O verdadeiro ânimo só vem de Deus, o resto é fogo de palha que, tão rápido como se acende, a chama se apaga. Que Deus te abençoe e obrigada pelo seu comentário! 😘

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